Pela primeira vez neste Blog, decidi publicar um artigo que não é de minha autoria.
Efectivamente trata-se de um artigo de Paul Krugman (Nobel Economia 2008), Publicado em 16 de Outubro de 2009 no NYT.
Apenas digo, não poderia concordar mais...
"
Mentalidades monetárias fora dos eixos
Uma lição que se pode retirar da Grande Depressão é que nunca se deve subestimar o poder destrutivo das más ideias. E algumas das más ideias que contribuíram para a Depressão revelaram-se, infelizmente, muito duradouras: sob forma modificada, continuam a influenciar o debate económico dos nossos dias.
A que ideias me refiro? O historiador da economia Peter Temin defende que uma das causas fundamentais da Depressão foi aquilo a que chama a "mentalidade do padrão-ouro". Quer ele dizer não só a crença na importância sagrada de manter o valor-ouro de uma moeda, mas também todo um conjunto de atitudes correlacionadas com ela: um medo obsessivo da inflação, mesmo em situações de deflação, oposição ao crédito fácil, o refrão de que, ainda que o governo tenha condições para criar emprego, não deve fazê-lo, porque isso representaria apenas uma recuperação "artificial".
No princípio da década de 1930 esta mentalidade levou os governos a subirem as taxas de juro e a reduzirem a despesa pública, apesar do desemprego que grassava, numa tentativa de defenderem as suas reservas de ouro. Mas em 2009 estamos muito longe desse tempo. Ou não?
Nos Estados Unidos existe uma versão moderna da mentalidade do padrão-ouro, que exerce uma influência crescente. E esta nova versão de uma velha má ideia pode prejudicar as hipóteses de alcançarmos uma recuperação plena.
Consideremos a recente celeuma a propósito da desvalorização do dólar a nível internacional.
A verdade é que se trata de uma boa notícia. Para começar, resulta sobretudo de um aumento da confiança: o dólar subiu na fase mais aguda da crise financeira, quando os investidores em pânico procuraram refúgio no mercado dos EUA, e está a descer de novo agora porque o medo está a desaparecer. Um dólar mais baixo é vantajoso para os exportadores dos EUA, o que ajuda o país a fazer a transição da anterior situação de gigantescos défices da balança de pagamentos para uma posição internacional mais sustentável.
No entanto, se lermos as opiniões expressas, por exemplo, na página editorial de "The Wall Street Journal", ficamos com a sensação de que a queda do dólar é um sinal de que o mundo está a perder a confiança nos Estados Unidos.
Fica-se com a sensação de que é preciso fazer alguma coisa para impedir a queda do dólar. Só nos resta esperar que a Fed não ceda a essa pressão. Mas há sinais preocupantes de uma mentalidade monetária fora dos eixos no seio da própria Reserva Federal.
Nas últimas semanas tem havido uma série de declarações de responsáveis da Fed, sobretudo (mas não exclusivamente) dos presidentes dos bancos regionais da Reserva Federal, apelando a um rápido regresso a uma política monetária mais restritiva, incluindo taxas de juros mais altas.
É extraordinária a ideia de que aumentar as taxas faria sentido num futuro próximo. Afinal a taxa de desemprego está nuns terríveis 9,8% e com tendência para aumentar, enquanto a inflação está bastante abaixo do objectivo de longo prazo do banco central americano. Isto parece indicar que a Reserva Federal não devia ter pressa em restringir o mercado monetário. Com efeito, uma regra elementar das políticas monetárias apontaria para que as taxas de juro fossem deixadas em paz durante os próximos dois anos ou mais, ou até o desemprego ter baixado para cerca de 7%.
Todavia, alguns responsáveis da Reserva Federal querem mexer nas taxas muito antes disso. Para evitar uma Grande Inflação, diz Charles Plosser, da Reserva Federal de Filadélfia, "vamos precisar de actuar muito antes de as taxas de desemprego e outras medidas de utilização de recursos terem regressado a níveis aceitáveis". Jeffrey Lacker, da Reserva Federal de Richmond, diz que pode ser necessário que as taxas subam, mesmo que "a taxa de desemprego ainda não tenha começado a descer".
Não sei que análise está por trás desta ânsia de mexer nas taxas. Mas provavelmente não é resultado de análise alguma; resultará de uma mentalidade, da esperança de que os bancos centrais sejam duros e não facilitem o acesso ao crédito. Ora é essencial que não deixemos esta mentalidade determinar a política económica.
Tudo indica que conseguimos evitar uma segunda Grande Depressão, mas ceder a uma visão modernizada dos preconceitos dos nossos avós seria uma receita quase infalível para garantir a segunda pior hipótese: uma longa era de crescimento arrastado, com altos índices de desemprego.
Paul Krugam
Exclusivo: New York Times
"
fim de transcrição
22 de Out de 2009
24 de Ago de 2009
noticias:o perigo da double-dip recession
Recentemente, Nouriel Roubini (o unico Economista que previu com extrema precisão, a crise financeira que esteve na base desta recessão), lançou um novo alerta: "depois da ligeira recuperação que se está a verificar nas economias, pode surgir uma nova recessão".
Esta situação, conhecida pela expressão anglo-saxónica double-dip recession, poderá ser causada, na opinião do especialista, pelo esgotamento dos estímulos monetários e orçamentais, fruto das politicas Keynesianas seguidas actualmente por todos os paises Ocidentais.
De acordo com as suas declarações ao Financial Times, a economia global baterá no fundo durante a segunda metade deste ano.
O economista alertou ainda que os Governos podem acabar com a retoma e encaminhar as respectivas economias para uma situação de «estagflação» (estagnação económica e deflação) se elevarem os impostos, cortarem o investimento público e retirarem demasiada liquidez do sistema para reduzir os défices orçamentais.
Aqui fica o aviso, mais uma vez, não é altura para obsessões com o Deficit...
Esta situação, conhecida pela expressão anglo-saxónica double-dip recession, poderá ser causada, na opinião do especialista, pelo esgotamento dos estímulos monetários e orçamentais, fruto das politicas Keynesianas seguidas actualmente por todos os paises Ocidentais.
De acordo com as suas declarações ao Financial Times, a economia global baterá no fundo durante a segunda metade deste ano.
O economista alertou ainda que os Governos podem acabar com a retoma e encaminhar as respectivas economias para uma situação de «estagflação» (estagnação económica e deflação) se elevarem os impostos, cortarem o investimento público e retirarem demasiada liquidez do sistema para reduzir os défices orçamentais.
Aqui fica o aviso, mais uma vez, não é altura para obsessões com o Deficit...
15 de Mar de 2009
A Crise Económica e o perigo iminente da “armadilha da liquidez Keynesiana”
Em 1929, durante o pânico inicial do que seria a "grande depressão", um repórter perguntou a John Maynard Keynes se alguma coisa semelhante alguma vez tinha acontecido. Keynes respondeu: "Sim, chamou-se Idade das Trevas e durou 400 anos."
Quando actualmente nos deparamos com uma das mais graves crises de que há memória na história económica, muitos dos Economistas actuais, procuraram soluções alternativas aos modelos económicos que imperaram nos últimos anos.
Desta forma, surge inevitavelmente, o nome de John Maynard Keynes, o grande pensador económico da primeira metade do século XX que foi relegado para uma semi-obscuridade nas escolas de economia, ultrapassado por Milton Friedman e o seu monetarismo e toda a escola de Chicago das “expectativas racionais”, de alguma forma, a base ideológica do Liberalismo económico moderno.
Este fenómeno acontece, sobretudo, porque vivemos uma época em que a actual crise faz-nos ver (por vezes de forma brutalmente dramática!), que o mundo nem sempre é totalmente “racional” do ponto de vista económico e que muito menos, pode ser meramente explicado e “modelizado” por modelos econométricos.
Keynes pertence a outra Escola (aquela que ele próprio criou…), onde as variáveis explicativas partiam em primeiro lugar da realidade e do mundo “real”e só depois, se partia para tentativas de explicação da mesma por variáveis explicadas. Keynes sabia que os comportamentos dos agentes económicos não eram sempre “racionais” e via o sistema económico como um todo orgânico complexo. Dai o seu conceito de animal spirit’s, ele que defende que a realidade depende mais do optimismo espontâneo (animal spirit´s - "um impulso espontâneo para a acção" -) do que do cálculo matemático.
Outro dos originais conceitos que Keynes inventou e que na conjuntura actual vêm bastante a propósito, foi a chamada “armadilha da liquidez”. Na economia monetária, uma armadilha de liquidez (liquidity trap) ocorre quando a taxa de juro nominal se aproxima de zero ou, o atinge e a autoridade monetária se vê impedida de estimular a economia usando os instrumentos tradicionais da política monetária. Recorda-se, que tal acontece, quando no modelo IS-LM, a curva LM (Procura e Oferta de moeda) é completamente horizontal.
Ou seja, face ao exposto, com os riscos actuais de deflação, pela primeira vez na história económica moderna á escala global, podemos estar perante a célebre “armadilha da liquidez Keynesiana”. Basicamente, na actualidade, o instrumento de conexão entre o mercado monetário (LM) e o mercado de bens e serviços (IS), a taxa de juro, está prestes a perder a sua utilidade. Para tal, basta simplesmente que a inflação se transforme em deflação, não podendo obviamente a taxa de juro exercer a sua função histórica de “polícia” da inflação, uma vez que não a pode acompanhar, quando esta descer para valores negativos.
É evidente assim que, quando a taxa de juro relevante se aproxima de zero ou o atinge, a autoridade monetária não pode proceder a reduções adicionais nas taxas de juro para estimular a economia (dado que as taxas de juro nominais não podem descer abaixo de zero). Portanto, perde a capacidade de influenciar a economia através do canal taxa de juro.
E com a actual caminhada da inflação para terrenos negativos, vai por impulso toda a actividade económica do mercado de bens e serviços. O mercado monetário, por sua vez como já se viu, perde o seu grande (e praticamente único) instrumento de intervenção, a taxa de juro.
Em suma, se a taxa de juro for zero, o dinheiro deixa de ter preço… a gravidade desta situação é por demais reconhecida! Nestas circunstâncias, as pessoas não esperam grandes retornos dos investimentos físicos ou financeiros, uma vez que a taxa de juro é próxima do nulo. Face a isto, os agentes económicos optam por manter os seus activos em depósitos bancários de curto prazo, em vez de fazerem investimentos de longo prazo. Isto torna uma recessão ainda mais severa podendo contribuir para um clima de deflação. Um perigoso círculo vicioso auto-alimentado. O resultado é um aumento do custo de capital para as empresas, o que reduz o investimento e agrava a crise.
22 de Jan de 2009
Economia vai marcar a presidência de Obama
Muito se têm dito e falado sobre o novo Presidente dos E.U.A, Barack Obama. Contudo, é um dado consensualmente adquirido, que vai ser essencialmente a questão económica a definir a sua presidência.
O apoio que por ora lhe é dado pela grande maioria dos norte-americanos, poderá rapidamente desvanecer-se, se nos próximos meses não houver um sinal claro, de que a economia irá sair da sua mais profunda crise desde a grande depressão dos anos 30 do século passado.
Com efeito, tal como a história Económico nos relembra constantemente, os agentes económicos vivem e comportam-se de acordo com expectativas, sejam elas racionais ou simplesmente adaptativas. Deste modo, é fulcral que, tal como existe esta euforia que todos assistimos em redor de Obama, não se caia no extremo oposto, por via de alguma desilusão face a expectativas goradas!
Todavia, creio que Obama e a sua equipa percepcionaram correctamente este risco!
Por isso, nas próximas três semanas, esta Administração deverá iniciar uma nova «campanha» com entrevistas, discursos, conferências de imprensa e algumas viagens, para procurar apoios para o seu programa de relançamento da economia.
O objectivo é pressionar o Congresso a agir rapidamente e espera-se um pacote financeiro “entregue” a Obama, já no próximo mês de Fevereiro, a rondar os 825 mil milhões de dólares (1.100 M €).
O plano será sem duvida, um dos maiores gastos de uma Administração na história dos Estados Unidos e corresponderá a cerca de 3% do Produto Nacional Bruto (PNB) Americano de dois anos. Com efeito, é superior em 125 mil milhões de dólares ao mediático pacote de resgate aprovado para a indústria financeira (Plano Paulson).
Este, será também, o pacote mais ambicioso desde a época do New Deal, com o programa de Franklin Roosevelt para combater a Grande Depressão. O programa actual, prevê gastos do governo federal de 550 mil milhões de dólares e reduções de impostos avaliadas em 275 mil milhões ao longo dos próximos dois anos (curto prazo).
O programa ( segunda os dados relativos á fase final de negociações) prevê gastos do governo em quatro vectores considerados fulcrais: energia, educação, saúde e construção de auto-estradas.
O apoio que por ora lhe é dado pela grande maioria dos norte-americanos, poderá rapidamente desvanecer-se, se nos próximos meses não houver um sinal claro, de que a economia irá sair da sua mais profunda crise desde a grande depressão dos anos 30 do século passado.
Com efeito, tal como a história Económico nos relembra constantemente, os agentes económicos vivem e comportam-se de acordo com expectativas, sejam elas racionais ou simplesmente adaptativas. Deste modo, é fulcral que, tal como existe esta euforia que todos assistimos em redor de Obama, não se caia no extremo oposto, por via de alguma desilusão face a expectativas goradas!
Todavia, creio que Obama e a sua equipa percepcionaram correctamente este risco!
Por isso, nas próximas três semanas, esta Administração deverá iniciar uma nova «campanha» com entrevistas, discursos, conferências de imprensa e algumas viagens, para procurar apoios para o seu programa de relançamento da economia.
O objectivo é pressionar o Congresso a agir rapidamente e espera-se um pacote financeiro “entregue” a Obama, já no próximo mês de Fevereiro, a rondar os 825 mil milhões de dólares (1.100 M €).
O plano será sem duvida, um dos maiores gastos de uma Administração na história dos Estados Unidos e corresponderá a cerca de 3% do Produto Nacional Bruto (PNB) Americano de dois anos. Com efeito, é superior em 125 mil milhões de dólares ao mediático pacote de resgate aprovado para a indústria financeira (Plano Paulson).
Este, será também, o pacote mais ambicioso desde a época do New Deal, com o programa de Franklin Roosevelt para combater a Grande Depressão. O programa actual, prevê gastos do governo federal de 550 mil milhões de dólares e reduções de impostos avaliadas em 275 mil milhões ao longo dos próximos dois anos (curto prazo).
O programa ( segunda os dados relativos á fase final de negociações) prevê gastos do governo em quatro vectores considerados fulcrais: energia, educação, saúde e construção de auto-estradas.
QUALIFICAÇÃO E INOVAÇÃO: A ECONOMIA DO CONHECIMENTO
Actualmente, um tema premente será sem dúvida, o da economia do conhecimento, onde os tradicionais factores de produção – a terra, o capital e o trabalho – deixaram de ser em exclusivo os principais impulsionadores de riqueza, sendo agora complementados em grande escala, pela incorporação de conhecimento. Esta nova economia, está baseada num conceito inverso à economia tradicional, visto que o conhecimento, ao contrário do que acontece com os outros factores produtivos, não diminui com o uso mas pelo contrário, aumenta.
Deste modo, o valor dos serviços e produtos é cada vez mais dependente do seu conteúdo de tecnologia, inovação e inteligência. O que mostra um aumento relativo da quantidade de trabalho sobre a informação, em detrimento de uma relação inversa de quantidade de trabalho sobre a matéria, ou seja, a desmaterialização ou informacionalização do trabalho.
Concretamente, o resultado desta nova premissa, resulta em processos/cadeias de valor, cada vez mais longas entre a matéria (Inputs) e o produto final (outputs), onde em cada etapa trabalha-se mais sobre a informação do que sobre a matéria, fazendo assim com que o valor acrescentado final, dependa menos da própria matéria.
Por esta via, a resposta será então, evoluir no sentido de através da maior incorporação de conhecimento conseguir um maior valor acrescentado, incluindo funções a montante e a jusante do processo de prestação de serviços, apostando nos produtos estendidos e nos serviços que se podem oferecer sobre produtos e sistemas, com o objectivo final de maximizar o valor para o cliente.
Desta forma, os fenómenos decorrentes da globalização originaram um novo conjunto de actividades intensivas em conhecimento. De facto, as vantagens comparativas baseadas em trabalho intensivo pouco qualificado estão, naturalmente, a migrar para países de baixos rendimentos que se assumem como novos actores emergentes no mercado global.
Por sua vez, as vantagens baseadas nas pessoas, nas suas qualificações e na sua especificidade cultural, são cada vez mais importantes. A capacidade e a velocidade com que emergem produtos e serviços inovadores, tornaram-se, os principais elementos que determinam a competitividade das empresas, dos sectores e dos países. Deste modo, ao se estimular a inovação, promove-se a capacidade dos agentes económicos para competirem de forma sustentável proporcionando, agregadamente, maior desenvolvimento económico para o país.
Aliás, Michael Porter sugere que a competitividade de uma nação, não é mais do que a soma da competitividade dos seus agentes económicos, preocupação a qual está, inclusive, bem patente na União Europeia, por via do enfoque da Estratégia de Lisboa nos determinantes do desenvolvimento económico.
Efectivamente, a sociedade do conhecimento (juntamente com a indissociável evolução de novas tecnologias) incentivaram, a criação de redes e uma maior aproximação entre entidades diversas. De tal forma, que em algumas áreas, a partilha de sinergias tem uma intensidade desigual e superior à norma, podendo-se então falar de Clusters.
Deste modo, o valor dos serviços e produtos é cada vez mais dependente do seu conteúdo de tecnologia, inovação e inteligência. O que mostra um aumento relativo da quantidade de trabalho sobre a informação, em detrimento de uma relação inversa de quantidade de trabalho sobre a matéria, ou seja, a desmaterialização ou informacionalização do trabalho.
Concretamente, o resultado desta nova premissa, resulta em processos/cadeias de valor, cada vez mais longas entre a matéria (Inputs) e o produto final (outputs), onde em cada etapa trabalha-se mais sobre a informação do que sobre a matéria, fazendo assim com que o valor acrescentado final, dependa menos da própria matéria.
Por esta via, a resposta será então, evoluir no sentido de através da maior incorporação de conhecimento conseguir um maior valor acrescentado, incluindo funções a montante e a jusante do processo de prestação de serviços, apostando nos produtos estendidos e nos serviços que se podem oferecer sobre produtos e sistemas, com o objectivo final de maximizar o valor para o cliente.
Desta forma, os fenómenos decorrentes da globalização originaram um novo conjunto de actividades intensivas em conhecimento. De facto, as vantagens comparativas baseadas em trabalho intensivo pouco qualificado estão, naturalmente, a migrar para países de baixos rendimentos que se assumem como novos actores emergentes no mercado global.
Por sua vez, as vantagens baseadas nas pessoas, nas suas qualificações e na sua especificidade cultural, são cada vez mais importantes. A capacidade e a velocidade com que emergem produtos e serviços inovadores, tornaram-se, os principais elementos que determinam a competitividade das empresas, dos sectores e dos países. Deste modo, ao se estimular a inovação, promove-se a capacidade dos agentes económicos para competirem de forma sustentável proporcionando, agregadamente, maior desenvolvimento económico para o país.
Aliás, Michael Porter sugere que a competitividade de uma nação, não é mais do que a soma da competitividade dos seus agentes económicos, preocupação a qual está, inclusive, bem patente na União Europeia, por via do enfoque da Estratégia de Lisboa nos determinantes do desenvolvimento económico.
Efectivamente, a sociedade do conhecimento (juntamente com a indissociável evolução de novas tecnologias) incentivaram, a criação de redes e uma maior aproximação entre entidades diversas. De tal forma, que em algumas áreas, a partilha de sinergias tem uma intensidade desigual e superior à norma, podendo-se então falar de Clusters.
19 de Jan de 2009
A Evolução do Conceito de Estratégia
No actual mundo dos negócios podemos destacar dois fenómenos de particular relevância deste tema. O primeiro deles, a globalização, à qual nos habituámos a acompanhar em livros, revistas e outras publicações referentes ao tema da globalização. Entre os efeitos decorrentes deste fenómeno podem-se apontar, entre outros, os seguintes aspectos:
• abertura de novos mercados;
• intensificação e internacionalização da concorrência;
• aumento e aceleração da circulação de informação;
• diminuição do ciclo de vida dos produtos;
• padronização dos produtos.
Na prática, a globalização pode revelar-se como uma fonte de problemas e, ao mesmo tempo, de oportunidades estratégicas. Por um lado, este despertar de interesse pela economia mundial acarreta o afluxo de novos e poderosos concorrentes atentos a mercados onde possam maximizar as suas vantagens competitivas.
Deste modo, é cada vez mais difícil estabelecer metodologias de actuação para o futuro de uma empresa pois a determinação de quais são os concorrentes ou de quando entrarão no nosso mercado são incógnitas crescentes.
Da mesma forma, a intensificação da concorrência tem vindo a reduzir fortemente a duração média de vida dos produtos. Com efeito, o ritmo de lançamento de novas versões, características ou funções, torna rapidamente obsoleto um produto. Este facto, para além de ser directamente desvantajoso do ponto de vista da rendibilidade, estimula ainda mais a necessidade que uma empresa tem de vender num mercado cada vez mais amplo como forma de tirar o máximo de partido de um produto com um curto ciclo de vida.
Por outro lado, a globalização permite que uma empresa tenha um mercado quase infinito deixando de estar confinada a um mercado nacional. Esta afirmação não implica que se deva procurar mercados com clientes pouco exigentes ou com menor concorrência. Porter refere que a capacidade competitiva de uma empresa terá maiores incentivos ao desenvolvimento se servir clientes exigentes.
Outra vantagem proporcionada pela globalização resulta de se poder recorrer com maior facilidade a fornecedores internacionais, aumentando a probabilidade de obter melhores produtos em termos qualitativos a preços mais interessantes.
O outro fenómeno pode ser encarado como uma evolução do anterior. O anterior pode ser enquadrado, em termos temporais e na sua maior expressão, entre meados da década de 80 e meados da década de 90. Actualmente vivemos uma nova fase ao nível concorrencial, verificando-se outras perturbações para além das referidas. Em primeiro lugar, a necessidade de rendibilização da linha de produtos tem levado a uma crescente concorrência entre segmentos que até muito recentemente não consideraríamos rivais.
Veja-se o caso das lojas de micro-informática: até à pouco tempo atrás, para adquirimos um PC ou outro artigo informático, tínhamos que nos deslocar a lojas da especialidade ou, eventualmente, a alguma superfície comercial de maior dimensão. Actualmente podemos comprar um PC numa loja de brinquedos, de electrodomésticos, etc.
Para além deste exemplo podíamos referir inúmeros outros, dos quais se pode destacar os seguintes:
• viveiros de plantas comercializando artigos para animais de estimação concorrendo directamente com pet shops;
• postos de abastecimento de combustíveis vendendo produtos alimentares concorrendo com mercearias, minimercados, lojas de conveniência, etc.
Em segundo lugar, assiste-se a uma crescente instabilidade nas fronteiras entre segmentos de mercado, verificando-se que os sectores de actividade estão cada vez menos estruturados. Esta crescente disparidade entre o mercado actual versus o mercado futuro coloca problemas ao nível da formulação de estratégias e do posicionamento dos produtos.
Na prática, do mesmo modo que os concorrentes são cada vez mais diversificados em termos de sector de origem, as fronteiras entre segmentos de clientes são cada vez mais ténues e voláteis, sendo mais difícil de estabelecer critérios de segmentação que possibilitem a uniformização dos perfis. Verifica-se, por exemplo, que:
• os utilizadores de telemóvel à cinco anos atrás apresentam um perfil díspar dos actuais;
• o padrão de consumo da classe média modificou-se nos últimos cinco anos.
É neste contexto que um empresário se vê obrigado a estabelecer estratégias que naturalmente não poderão ser rígidas. Mas, afinal o que é estratégia? No nosso quotidiano é frequente depararmo-nos com a utilização da palavra estratégia em áreas tão diversas como o futebol, a guerra, a televisão, etc.. Serão estes conceitos similares àquilo a que designamos de estratégia empresarial? Na maior parte dos aspectos, podemos estabelecer uma equivalência entre as duas perspectivas.
Em termos gerais, o conceito de estratégia é de aplicação geral sendo bastante díspar a sua utilização: desde os seus primórdios militares até ao futebol, passando naturalmente pela política e pelas empresas e outras organizações.
Com o surgimento deste campo de estudo pode-se distinguir três momentos fundamentais na evolução da estratégia do ponto de vista empresarial:
• Orientação para a envolvente externa;
• Orientação para a envolvente interna;
• Orientação para os recursos e capacidades.
• abertura de novos mercados;
• intensificação e internacionalização da concorrência;
• aumento e aceleração da circulação de informação;
• diminuição do ciclo de vida dos produtos;
• padronização dos produtos.
Na prática, a globalização pode revelar-se como uma fonte de problemas e, ao mesmo tempo, de oportunidades estratégicas. Por um lado, este despertar de interesse pela economia mundial acarreta o afluxo de novos e poderosos concorrentes atentos a mercados onde possam maximizar as suas vantagens competitivas.
Deste modo, é cada vez mais difícil estabelecer metodologias de actuação para o futuro de uma empresa pois a determinação de quais são os concorrentes ou de quando entrarão no nosso mercado são incógnitas crescentes.
Da mesma forma, a intensificação da concorrência tem vindo a reduzir fortemente a duração média de vida dos produtos. Com efeito, o ritmo de lançamento de novas versões, características ou funções, torna rapidamente obsoleto um produto. Este facto, para além de ser directamente desvantajoso do ponto de vista da rendibilidade, estimula ainda mais a necessidade que uma empresa tem de vender num mercado cada vez mais amplo como forma de tirar o máximo de partido de um produto com um curto ciclo de vida.
Por outro lado, a globalização permite que uma empresa tenha um mercado quase infinito deixando de estar confinada a um mercado nacional. Esta afirmação não implica que se deva procurar mercados com clientes pouco exigentes ou com menor concorrência. Porter refere que a capacidade competitiva de uma empresa terá maiores incentivos ao desenvolvimento se servir clientes exigentes.
Outra vantagem proporcionada pela globalização resulta de se poder recorrer com maior facilidade a fornecedores internacionais, aumentando a probabilidade de obter melhores produtos em termos qualitativos a preços mais interessantes.
O outro fenómeno pode ser encarado como uma evolução do anterior. O anterior pode ser enquadrado, em termos temporais e na sua maior expressão, entre meados da década de 80 e meados da década de 90. Actualmente vivemos uma nova fase ao nível concorrencial, verificando-se outras perturbações para além das referidas. Em primeiro lugar, a necessidade de rendibilização da linha de produtos tem levado a uma crescente concorrência entre segmentos que até muito recentemente não consideraríamos rivais.
Veja-se o caso das lojas de micro-informática: até à pouco tempo atrás, para adquirimos um PC ou outro artigo informático, tínhamos que nos deslocar a lojas da especialidade ou, eventualmente, a alguma superfície comercial de maior dimensão. Actualmente podemos comprar um PC numa loja de brinquedos, de electrodomésticos, etc.
Para além deste exemplo podíamos referir inúmeros outros, dos quais se pode destacar os seguintes:
• viveiros de plantas comercializando artigos para animais de estimação concorrendo directamente com pet shops;
• postos de abastecimento de combustíveis vendendo produtos alimentares concorrendo com mercearias, minimercados, lojas de conveniência, etc.
Em segundo lugar, assiste-se a uma crescente instabilidade nas fronteiras entre segmentos de mercado, verificando-se que os sectores de actividade estão cada vez menos estruturados. Esta crescente disparidade entre o mercado actual versus o mercado futuro coloca problemas ao nível da formulação de estratégias e do posicionamento dos produtos.
Na prática, do mesmo modo que os concorrentes são cada vez mais diversificados em termos de sector de origem, as fronteiras entre segmentos de clientes são cada vez mais ténues e voláteis, sendo mais difícil de estabelecer critérios de segmentação que possibilitem a uniformização dos perfis. Verifica-se, por exemplo, que:
• os utilizadores de telemóvel à cinco anos atrás apresentam um perfil díspar dos actuais;
• o padrão de consumo da classe média modificou-se nos últimos cinco anos.
É neste contexto que um empresário se vê obrigado a estabelecer estratégias que naturalmente não poderão ser rígidas. Mas, afinal o que é estratégia? No nosso quotidiano é frequente depararmo-nos com a utilização da palavra estratégia em áreas tão diversas como o futebol, a guerra, a televisão, etc.. Serão estes conceitos similares àquilo a que designamos de estratégia empresarial? Na maior parte dos aspectos, podemos estabelecer uma equivalência entre as duas perspectivas.
Em termos gerais, o conceito de estratégia é de aplicação geral sendo bastante díspar a sua utilização: desde os seus primórdios militares até ao futebol, passando naturalmente pela política e pelas empresas e outras organizações.
Com o surgimento deste campo de estudo pode-se distinguir três momentos fundamentais na evolução da estratégia do ponto de vista empresarial:
• Orientação para a envolvente externa;
• Orientação para a envolvente interna;
• Orientação para os recursos e capacidades.
Cadeia-de-Valor
As realidades e os desafios que as empresas actualmente enfrentam na sua cadeia-de-valor, podem consubstanciar-se em três grandes pontos (grosso modo):
1) Prever a procura futura do público em determinados bens sem grande informação de referência, mas mesmo assim terem de dimensionar estruturas produtivas previamente, com os riscos inerentes de o fazer por excesso ou por defeito, concluindo-se neste ponto que é necessário um processo de feed-back das vendas para a estrutura produtiva de modo a poder fazer reajustes, tentando minimizar desvios, e seus respectivos impactos financeiros.
2) Numa economia global escolher a melhor região do mundo onde produzir, tendo a melhor relação qualidade preço, concluindo-se neste caso o melhor preço à qualidade encomenda, se não existir flexibilidade no processo produtivo, pode trazer grandes impactos negativos na cadeia de distribuição, após produção.
3) O processo de Supply Chain representa uma importante fatia dos custos, nos custos globais com que se chega com um produto ao mercado, e que muitas vezes o excesso de stock nos vários pontos da cadeia, e os custos de oportunidade de capital resultantes do excesso de stock, tendem a ser erradamente ignoradas, concluído-se neste caso que um análise cuidada e continua das várias fazes da cadeia é fundamental, para manter a competitividade.
1) Prever a procura futura do público em determinados bens sem grande informação de referência, mas mesmo assim terem de dimensionar estruturas produtivas previamente, com os riscos inerentes de o fazer por excesso ou por defeito, concluindo-se neste ponto que é necessário um processo de feed-back das vendas para a estrutura produtiva de modo a poder fazer reajustes, tentando minimizar desvios, e seus respectivos impactos financeiros.
2) Numa economia global escolher a melhor região do mundo onde produzir, tendo a melhor relação qualidade preço, concluindo-se neste caso o melhor preço à qualidade encomenda, se não existir flexibilidade no processo produtivo, pode trazer grandes impactos negativos na cadeia de distribuição, após produção.
3) O processo de Supply Chain representa uma importante fatia dos custos, nos custos globais com que se chega com um produto ao mercado, e que muitas vezes o excesso de stock nos vários pontos da cadeia, e os custos de oportunidade de capital resultantes do excesso de stock, tendem a ser erradamente ignoradas, concluído-se neste caso que um análise cuidada e continua das várias fazes da cadeia é fundamental, para manter a competitividade.
O MERCADO DE TRABALHO PORTUGUÊS, ALGUMAS DEBILIDADES ESTRUTURAIS
Segundo os indicadores extraídos das estatísticas conjunturais do Emprego, a evolução do mercado de trabalho em Portugal tem mostrado que o desemprego, tende a aumentar rapidamente durante os períodos cíclicos de recessão e diminui lentamente durante os períodos de recuperação.
Sendo assim, o aumento do número de desempregados que se tem vindo a verificar no país e que quantificaremos adiante, não poderá, quanto a nós, ser estudado como um problema meramente conjuntural que a retoma da economia internacional e nacional, natural e simplesmente resolverá. As características estruturais que, inequivocamente, afectam o mercado de trabalho em Portugal e que a manterem-se, irão crescentemente condicionar não só a capacidade futura de criação de emprego como também, o ritmo da modernização do sistema produtivo, assumem-se, cada vez mais, como factores preponderantes e condicionadores da evolução real do referido mercado.
De entre essas debilidades estruturais e socorrendo-nos de recente estudo publicado pelo Departamento de Planeamento Estratégico do MAET, apontamos como mais relevantes as seguintes:
Manutenção de baixos níveis de habilitação escolar e de qualificação de mão de obra;
Existência de um crescente desajustamento no mercado trabalho entre competências oferecidas e competências procuradas. Frequentemente, aqueles que detêm níveis de qualificação mais elevados, deparam-se com dificuldades acrescidas em serem absorvidos pelo mercado de emprego;
Um tecido empresarial composto, predominantemente, por micro ou pequenas empresas, normalmente pouco vocacionadas para a inovação, marcadas por um recrutamento de pessoal pouco qualificado e oferecendo poucas possibilidades de formação profissional. Por outro lado, os próprios empregadores apresentam, geralmente, baixos níveis de educação e formação profissional o que também condicionará negativamente a evolução do mercado de trabalho;
Dificuldades de inserção no mercado de emprego de jovens, mulheres, trabalhadores mais idosos e outros grupos socialmente mais desfavorecidos. Releva-se, neste domínio, que a elevadíssima taxa de desemprego de jovens, a que se junta uma forte alternância entre situações de emprego precário e desemprego, constitui um dos principais factores críticos do mercado de emprego nacional;
Persistência de um elevado peso de desemprego de longa duração, especialmente composto por trabalhadores de escalões etários intermédios, com défices de habilitações e qualificações e com uma forte presença de mulheres;
Uma forte preponderância do trabalho por conta própria ou independente. Lembra-se que o trabalho isolado encontra-se principalmente associado ao sector agrícola, enquanto que o trabalhador independente tende a crescer com uma economia desfavorável;
Acréscimo, significativo, das diferente formas de emprego precário, fortemente condicionado pela evolução do ciclo da conjuntura económica;
Um peso ainda considerável do emprego agrícola, a par de uma estrutura sectorial de emprego, baseada em actividades tradicionais com um baixo grau de aproveitamento das novas tecnologias;
Manutenção de assinaláveis assimetrias regionais, que se traduzem, nomeadamente, no concentração relativa de situações de desemprego no contexto das áreas metropolitanas e em algumas parcelas do mundo rural.
Portugal confronta-se, assim, com um conjunto de debilidades estruturais no sistema de emprego, não só ao nível de qualificação de mão de obra, mas igualmente em aspectos relacionados com as características do sistema produtivo nacional, onde persistem sectores obsoletos pouco vocacionados para a inovação. Esta situação irá dificultar, como é óbvio, a convergência para os níveis atingidos pela U.E., onde o mercado de emprego global será cada vez mais dinâmico e competitivo.
Sendo assim, o aumento do número de desempregados que se tem vindo a verificar no país e que quantificaremos adiante, não poderá, quanto a nós, ser estudado como um problema meramente conjuntural que a retoma da economia internacional e nacional, natural e simplesmente resolverá. As características estruturais que, inequivocamente, afectam o mercado de trabalho em Portugal e que a manterem-se, irão crescentemente condicionar não só a capacidade futura de criação de emprego como também, o ritmo da modernização do sistema produtivo, assumem-se, cada vez mais, como factores preponderantes e condicionadores da evolução real do referido mercado.
De entre essas debilidades estruturais e socorrendo-nos de recente estudo publicado pelo Departamento de Planeamento Estratégico do MAET, apontamos como mais relevantes as seguintes:
Manutenção de baixos níveis de habilitação escolar e de qualificação de mão de obra;
Existência de um crescente desajustamento no mercado trabalho entre competências oferecidas e competências procuradas. Frequentemente, aqueles que detêm níveis de qualificação mais elevados, deparam-se com dificuldades acrescidas em serem absorvidos pelo mercado de emprego;
Um tecido empresarial composto, predominantemente, por micro ou pequenas empresas, normalmente pouco vocacionadas para a inovação, marcadas por um recrutamento de pessoal pouco qualificado e oferecendo poucas possibilidades de formação profissional. Por outro lado, os próprios empregadores apresentam, geralmente, baixos níveis de educação e formação profissional o que também condicionará negativamente a evolução do mercado de trabalho;
Dificuldades de inserção no mercado de emprego de jovens, mulheres, trabalhadores mais idosos e outros grupos socialmente mais desfavorecidos. Releva-se, neste domínio, que a elevadíssima taxa de desemprego de jovens, a que se junta uma forte alternância entre situações de emprego precário e desemprego, constitui um dos principais factores críticos do mercado de emprego nacional;
Persistência de um elevado peso de desemprego de longa duração, especialmente composto por trabalhadores de escalões etários intermédios, com défices de habilitações e qualificações e com uma forte presença de mulheres;
Uma forte preponderância do trabalho por conta própria ou independente. Lembra-se que o trabalho isolado encontra-se principalmente associado ao sector agrícola, enquanto que o trabalhador independente tende a crescer com uma economia desfavorável;
Acréscimo, significativo, das diferente formas de emprego precário, fortemente condicionado pela evolução do ciclo da conjuntura económica;
Um peso ainda considerável do emprego agrícola, a par de uma estrutura sectorial de emprego, baseada em actividades tradicionais com um baixo grau de aproveitamento das novas tecnologias;
Manutenção de assinaláveis assimetrias regionais, que se traduzem, nomeadamente, no concentração relativa de situações de desemprego no contexto das áreas metropolitanas e em algumas parcelas do mundo rural.
Portugal confronta-se, assim, com um conjunto de debilidades estruturais no sistema de emprego, não só ao nível de qualificação de mão de obra, mas igualmente em aspectos relacionados com as características do sistema produtivo nacional, onde persistem sectores obsoletos pouco vocacionados para a inovação. Esta situação irá dificultar, como é óbvio, a convergência para os níveis atingidos pela U.E., onde o mercado de emprego global será cada vez mais dinâmico e competitivo.
Mercado das Telecomunicações móveis” em Portugal
Todos sabemos que revolução tecnológica é, antes de mais, uma questão nacional. No entanto, também se sabe que nenhum país beneficiará da nova era da informação se limitar a esperar, passivamente, que os benefícios lhe caiam em cima. As transformações tecnológicas dependem, cada vez mais, da capacidade de cada país para estimular a criatividade da sua população, permitindo-lhe compreender e dominar a tecnologia, inovando e adaptando essa tecnologia ás suas necessidades e oportunidades específicas.
Também, é um dado adquirido, que para estimular a criatividade, é imprescindível um ambiente económico dinâmico, competitivo e flexível. Fundamentalmente uma política económica realista e moderna que mobilize o potencial criativo da população na apetência para utilizar e desenvolver as inovações tecnológicas, neste caso particular, ligadas à estratégica área das telecomunicações, um dos factores mais importantes de desenvolvimento dos países.
De facto, se o telefone já tem mais de cem anos, a sua distribuição e utilização multi funcional é ainda de uma grande assimetria. Se nos países da OCDE existe mais de que uma ligação à rede telefónica por cada duas pessoas, nos países subdesenvolvidos esse rácio é de 1 para 200 pessoas. Estas disparidades impedem o acesso à INTERNET e dificultam as ligações na actual era das redes.
Um cenário como este, também nos revela que nos encontramos perante um novo mercado potencial, o qual nos últimos dez anos, mercê de reformas institucionais, consideráveis investimentos e inegáveis progressos tecnológicos, tem originado que o sector das telecomunicações, especialmente nos países desenvolvidos, tenha crescido exponencialmente.
Particularmente, na área da telecomunicações móveis, onde o extraordinário crescimento dos telemóveis, ultrapassando as restrições da construção das infra estruturas tem vindo a superar a instalação dos cabos telefónicos. No âmbito dos países da OCDE, o número de assinantes de telemóveis passou no último decénio de 13 para 375 (por mil pessoas), rácio que nestes primeiros anos do novo milénio deve ter subido consideravelmente.
Também no que se refere a Portugal, no âmbito das oportunidades de desenvolvimento no III Quadro Comunitário de Apoio ficou definido na respectiva Estratégia Global, uma referência estratégica à Sociedade de Informação.
Nesse documento é descrito que “o desenvolvimento e a rápida modernização das redes de telecomunicações e audiovisuais podem reduzir as desvantagens resultantes da situação geográfica e contribuir para aumentar a atracção do território português, em termos internacionais. Com efeito, a distância em relação aos centros consumidores deixa de constituir um factor negativo da competitividade, quanto a bens e serviços que possam ser fornecidos ou prestados através da utilização das novas tecnologias de comunicação. Factor essencial é que os países e as regiões periféricas demonstrem capacidade para definir estratégias que combinem por um lado, a inserção nas grandes rotas marítimas e aéreas internacionais e nas redes terrestres transeuropeias e, por outro lado, o desenvolvimento das redes de telecomunicações, que permitem aproveitar as oportunidades oferecidas pela sociedade da informação ”.
Inquestionavelmente que as telecomunicações e muito especialmente os telemóveis, vieram alterar a vida quotidiana das famílias e das empresas portuguesas. Das famílias, porque não prescindem já do “direito” de poder comunicar em qualquer altura e em qualquer lugar. Das empresas, porque, não só pela voz como através dos dados, viabilizam a forma das pessoas poderem trabalhar à distância, poupando tempo e dinheiro.
Em jeito de conclusão, podemos assim dizer que em Portugal a área das telecomunicações é moderna e desenvolvida podendo-se até encontrar, comportamentos de excelência. Em termos comparativos, poder-se-á, também, afirmar que, se em Portugal as empresas de telecomunicações não se encontram em absoluto na linha da frente na integração das diferentes tecnologias, estão, porém, muito próximas da vanguarda desse desenvolvimento.
Também, é um dado adquirido, que para estimular a criatividade, é imprescindível um ambiente económico dinâmico, competitivo e flexível. Fundamentalmente uma política económica realista e moderna que mobilize o potencial criativo da população na apetência para utilizar e desenvolver as inovações tecnológicas, neste caso particular, ligadas à estratégica área das telecomunicações, um dos factores mais importantes de desenvolvimento dos países.
De facto, se o telefone já tem mais de cem anos, a sua distribuição e utilização multi funcional é ainda de uma grande assimetria. Se nos países da OCDE existe mais de que uma ligação à rede telefónica por cada duas pessoas, nos países subdesenvolvidos esse rácio é de 1 para 200 pessoas. Estas disparidades impedem o acesso à INTERNET e dificultam as ligações na actual era das redes.
Um cenário como este, também nos revela que nos encontramos perante um novo mercado potencial, o qual nos últimos dez anos, mercê de reformas institucionais, consideráveis investimentos e inegáveis progressos tecnológicos, tem originado que o sector das telecomunicações, especialmente nos países desenvolvidos, tenha crescido exponencialmente.
Particularmente, na área da telecomunicações móveis, onde o extraordinário crescimento dos telemóveis, ultrapassando as restrições da construção das infra estruturas tem vindo a superar a instalação dos cabos telefónicos. No âmbito dos países da OCDE, o número de assinantes de telemóveis passou no último decénio de 13 para 375 (por mil pessoas), rácio que nestes primeiros anos do novo milénio deve ter subido consideravelmente.
Também no que se refere a Portugal, no âmbito das oportunidades de desenvolvimento no III Quadro Comunitário de Apoio ficou definido na respectiva Estratégia Global, uma referência estratégica à Sociedade de Informação.
Nesse documento é descrito que “o desenvolvimento e a rápida modernização das redes de telecomunicações e audiovisuais podem reduzir as desvantagens resultantes da situação geográfica e contribuir para aumentar a atracção do território português, em termos internacionais. Com efeito, a distância em relação aos centros consumidores deixa de constituir um factor negativo da competitividade, quanto a bens e serviços que possam ser fornecidos ou prestados através da utilização das novas tecnologias de comunicação. Factor essencial é que os países e as regiões periféricas demonstrem capacidade para definir estratégias que combinem por um lado, a inserção nas grandes rotas marítimas e aéreas internacionais e nas redes terrestres transeuropeias e, por outro lado, o desenvolvimento das redes de telecomunicações, que permitem aproveitar as oportunidades oferecidas pela sociedade da informação ”.
Inquestionavelmente que as telecomunicações e muito especialmente os telemóveis, vieram alterar a vida quotidiana das famílias e das empresas portuguesas. Das famílias, porque não prescindem já do “direito” de poder comunicar em qualquer altura e em qualquer lugar. Das empresas, porque, não só pela voz como através dos dados, viabilizam a forma das pessoas poderem trabalhar à distância, poupando tempo e dinheiro.
Em jeito de conclusão, podemos assim dizer que em Portugal a área das telecomunicações é moderna e desenvolvida podendo-se até encontrar, comportamentos de excelência. Em termos comparativos, poder-se-á, também, afirmar que, se em Portugal as empresas de telecomunicações não se encontram em absoluto na linha da frente na integração das diferentes tecnologias, estão, porém, muito próximas da vanguarda desse desenvolvimento.
A INDÚSTRIA AUTOMÓVEL EM PORTUGAL
Por achar curioso e, sobretudo, emblemático, começo por referir um pequeno texto da ACAP - Associação Empresarial do Sector- o qual, com oportunidade, traduz, em poucas linhas, os factores determinantes da evolução do sector automóvel em Portugal.
“A história do sector automóvel em Portugal é paradigmática, a vários títulos. Em primeiro lugar porque reflecte directamente o percurso de integração europeia realizado por Portugal nas últimas quatro décadas. Em segundo lugar, porque ilustra o papel do IDE na promoção da inovação. Em terceiro lugar, porque demonstra as sinergias entre o IDE e a iniciativa local.”
Como decorre na parte final da introdução deste trabalho, foi praticamente, a perspectiva da concretização da adesão plena de Portugal à CEE, que marca o grande salto da integração do sector automóvel, com maior valor acrescentado, na produção industrial portuguesa.
De facto, se as primeiras unidades de montagem constituíram a evolução lógica de um sector que, principalmente a partir de 1986 – Adesão plena à CE- dá um salto quantitativo e qualitativo exemplar, o certo é que a política industrial que estava subjacente às anteriores unidades de montagem, não permitiu, na altura, uma maior preponderância do sector automóvel no valor acrescentado da economia, nem estimulou a inovação tecnológica das empresas nacionais. Por parte das políticas públicas de então, como referimos na introdução, a estratégia industrial assentava na substituição de importações, mesmo que isso encarecesse internamente o produto. Daí, que os construtores não optimizassem o factor eficiência nas suas unidades de montagem e começassem a aparecer unidades com discutíveis viabilidades, na medida em que o mercado se ia lenta mas progressivamente abrindo ao exterior mais competitivo. Também, devido a constituir naquela altura um simples processo de mera “assemblage” ou junção de peças, não originou, como seria desejável, o aparecimento de uma rede de fornecedores de componentes para a indústria automóvel. Quanto muito, podem ter surgido, pequenas unidades para o fornecimento de alguns componentes secundários, de reduzido valor acrescentado para o mercado interno e sem importância preponderante na dinamização do sector.
Com a perspectiva da integração plena de Portugal na Europa Comunitária, surge nos princípios de 1980, liderado pela Renault, o primeiro grande e estruturado investimento do sector automóvel em Portugal. O contexto económico e político tinha-se alterado e os franceses passaram, então, do mero processo de “assemblage”, que tinha caracterizado até aí as linhas de montagem de autos, para a produção efectiva de automóveis, incorporando já inputs produzidos em Portugal com significativo valor acrescentado. Emerge então, à volta desta iniciativa, e pela primeira vez no tecido produtivo nacional, um sector de componentes de automóvel. Com isso, inicia-se a transferência de tecnologia para a indústria nacional e as multinacionais do sector começam a mostrar interesse por Portugal.
Mas é, efectivamente, com a adesão formal à Comunidade em 1986 que o sector automóvel português dá um considerável salto qualitativo e quantitativo. Tirando partido não só do mercado interno europeu, mas também dos fundos estruturais e de coesão (FEDER, FSE, etc.). Rapidamente o sector de componentes para automóvel torna-se o principal exportador, suplantando mesmo, curiosamente, o tradicional têxtil e vestuário.
Será, nesta altura, que a presença de um eventual embrionário cluster automóvel começa a despontar na estrutura industrial portuguesa e Portugal, pela primeira vez, aparece no mapa dos exportadores de automóveis. Claro, que o sucesso desta estratégia está directamente suportado com a política de então, onde era dada prioridade às exportações e à captação de novos investimentos para projectos complementares. Por parte dos construtores existia, também, uma estratégia bem definida onde era bem patente o predomínio e a centralidade do projecto Renault .Do mesmo modo, e muito importante para a valorização do empresariado nacional, existiu pelo lado dos fornecedores um comportamento positivo virado para a aprendizagem tecnológica e organizacional, bem como, uma abertura bastante favorável ao mercado exportador e um contacto permanente e dialogante com a indústria automóvel global.
A partir de 1990, com o êxito da integração na U.E. e já com a perspectiva da UEM, Portugal atrai nessa altura um grande investimento no sector automóvel, liderado por uma joint-venture Ford – Volkswagen. Este investimento, denominado AutoEuropa, com verdadeira dimensão emblemática internacional, tem, como se esperava, efeitos consideráveis na economia portuguesa. Assim, entre outras coisas, consolida o até então embrionário cluster automóvel, induzindo ao seu redor o aparecimento de uma vasta constelação de unidades empresariais de componentes, promovidas por grandes multinacionais, por empresários locais e por “joint-ventures”; promove a inovação, introduzindo em Portugal novos métodos e tecnologias, nomeadamente dando uma nova ênfase às questões ambientais e à formação profissional; desenvolve uma região deprimida, como então se encontrava a Península de Setúbal, criando novas e modernas infra estruturas e, acima de tudo, emprego. Finalmente, mas não menos importante, promove na malha empresarial ligada ao projecto, a lógica de trabalhar em rede, integrando e valorizando saberes e experiências recíprocas.
Aliás, foi a grande aposta deste projecto nas questões da I&D, que levou a que o sector de componentes para automóvel fosse o primeiro no país a experimentar, de um modo continuado, a nova lógica da economia do conhecimento. De facto, em toda a estratégia empresarial deste enorme investimento a inovação constitui o factor decisivo, por excelência, para garantir a sua competitividade. Traduzindo essa nova dinâmica de uma moderna gestão empresarial, cita-se um alto dirigente da empresa, o qual afirma numa reunião comercial que,”a partir daqui, não há mais lugar para fornecedores passivos e estáticos a tirar partido de negócios cristalizados. Terá é que haver produtores dinâmicos obrigados a conhecer profundamente o negócio automóvel e não apenas as tecnologias, obrigados a trabalhar, a nível empresarial, em rede vertical e horizontal e fazer da inovação a ferramenta quotidiana da sua afirmação competitiva.”
Em termos macro, toda a década de noventa onde se desenvolveu, por excelência o projecto da AutoEuropa, foi politicamente caracterizada por uma assumida reabertura de mercados exteriores; por uma estratégia empresarial de construtores ao assumir como prioritário o projecto em questão e colhendo dele toda a dinâmica gestionária. Pela parte dos fornecedores, foi assumido um comportamento mais tecnológico e profissional, nomeadamente, consolidando competências e responsabilidades baseadas no rigoroso cumprimento do triângulo custo/qualidade/prazo. Da mesma maneira, também foram estudadas novas soluções no desenvolvimento das capacidades de engenharia e procuradas participações valorativas em cadeias de fornecimento com empresas nacionais e estrangeiras.
Em 2002, terminou o contrato de investimento entre o Estado e a AutoEuropa. Mas devido a interesses recíprocos e à vontade política de continuar com o desenvolvimento deste projecto, foi assinado em 2003 outro acordo, deste vez envolvendo os trabalhadores, que evitando não só despedimentos, veio também viabilizar um novo investimento de 500 milhões de euros na concretização de um novo projecto automóvel.
Actualmente a importância da Auro Europa para a economia nacional é indiscutível: 7% do PIB e cerca de 11% das exportações. Dos cerca de 100 mil carros produzidos no ano passado a esmagadora maioria roda em estradas no estrangeiro. Também o impacto social da empresa é bastante significativo. Possui cerca de 3 mil trabalhadores directos, ou seja, 0,5% da mão-de-obra portuguesa que trabalha no sector industrial. No entanto, este número pode chegar às 8.700 pessoas, se forem contabilizados os trabalhadores do parque industrial e outros serviços contratados, bem como de fornecedores da zona de implantação da unidade industrial.
Também por efeito da AutoEuropa, a facturação da indústria de componentes quadruplicou nos últimos dez anos e o sector automóvel, no seu conjunto, passou a ser o maior exportador nacional com cerca de 24% do total.
Voltando ao historial evolutivo do sector da indústria de componentes de auto, podemos concluir que a integração europeia foi, sem margem para dúvidas, a “driving-force” do cluster automóvel em Portugal. Sem o mercado interno europeu, sem os fundos comunitários e sem o Euro, o sector dificilmente teria a projecção que actualmente alcançou. No entanto, também não seríamos precisos nesta análise, se não realçássemos a envolvente positiva de uma política pública, não só baseada numa economia de mercado e no empreendorismo empresarial, como incentivadora da inovação tecnológica e de parcerias tecnológicas e financeiras em consonância com as necessidades para o desenvolvimento do sector automóvel, hoje já um cluster assumido no contexto do tecido industrial português.
“A história do sector automóvel em Portugal é paradigmática, a vários títulos. Em primeiro lugar porque reflecte directamente o percurso de integração europeia realizado por Portugal nas últimas quatro décadas. Em segundo lugar, porque ilustra o papel do IDE na promoção da inovação. Em terceiro lugar, porque demonstra as sinergias entre o IDE e a iniciativa local.”
Como decorre na parte final da introdução deste trabalho, foi praticamente, a perspectiva da concretização da adesão plena de Portugal à CEE, que marca o grande salto da integração do sector automóvel, com maior valor acrescentado, na produção industrial portuguesa.
De facto, se as primeiras unidades de montagem constituíram a evolução lógica de um sector que, principalmente a partir de 1986 – Adesão plena à CE- dá um salto quantitativo e qualitativo exemplar, o certo é que a política industrial que estava subjacente às anteriores unidades de montagem, não permitiu, na altura, uma maior preponderância do sector automóvel no valor acrescentado da economia, nem estimulou a inovação tecnológica das empresas nacionais. Por parte das políticas públicas de então, como referimos na introdução, a estratégia industrial assentava na substituição de importações, mesmo que isso encarecesse internamente o produto. Daí, que os construtores não optimizassem o factor eficiência nas suas unidades de montagem e começassem a aparecer unidades com discutíveis viabilidades, na medida em que o mercado se ia lenta mas progressivamente abrindo ao exterior mais competitivo. Também, devido a constituir naquela altura um simples processo de mera “assemblage” ou junção de peças, não originou, como seria desejável, o aparecimento de uma rede de fornecedores de componentes para a indústria automóvel. Quanto muito, podem ter surgido, pequenas unidades para o fornecimento de alguns componentes secundários, de reduzido valor acrescentado para o mercado interno e sem importância preponderante na dinamização do sector.
Com a perspectiva da integração plena de Portugal na Europa Comunitária, surge nos princípios de 1980, liderado pela Renault, o primeiro grande e estruturado investimento do sector automóvel em Portugal. O contexto económico e político tinha-se alterado e os franceses passaram, então, do mero processo de “assemblage”, que tinha caracterizado até aí as linhas de montagem de autos, para a produção efectiva de automóveis, incorporando já inputs produzidos em Portugal com significativo valor acrescentado. Emerge então, à volta desta iniciativa, e pela primeira vez no tecido produtivo nacional, um sector de componentes de automóvel. Com isso, inicia-se a transferência de tecnologia para a indústria nacional e as multinacionais do sector começam a mostrar interesse por Portugal.
Mas é, efectivamente, com a adesão formal à Comunidade em 1986 que o sector automóvel português dá um considerável salto qualitativo e quantitativo. Tirando partido não só do mercado interno europeu, mas também dos fundos estruturais e de coesão (FEDER, FSE, etc.). Rapidamente o sector de componentes para automóvel torna-se o principal exportador, suplantando mesmo, curiosamente, o tradicional têxtil e vestuário.
Será, nesta altura, que a presença de um eventual embrionário cluster automóvel começa a despontar na estrutura industrial portuguesa e Portugal, pela primeira vez, aparece no mapa dos exportadores de automóveis. Claro, que o sucesso desta estratégia está directamente suportado com a política de então, onde era dada prioridade às exportações e à captação de novos investimentos para projectos complementares. Por parte dos construtores existia, também, uma estratégia bem definida onde era bem patente o predomínio e a centralidade do projecto Renault .Do mesmo modo, e muito importante para a valorização do empresariado nacional, existiu pelo lado dos fornecedores um comportamento positivo virado para a aprendizagem tecnológica e organizacional, bem como, uma abertura bastante favorável ao mercado exportador e um contacto permanente e dialogante com a indústria automóvel global.
A partir de 1990, com o êxito da integração na U.E. e já com a perspectiva da UEM, Portugal atrai nessa altura um grande investimento no sector automóvel, liderado por uma joint-venture Ford – Volkswagen. Este investimento, denominado AutoEuropa, com verdadeira dimensão emblemática internacional, tem, como se esperava, efeitos consideráveis na economia portuguesa. Assim, entre outras coisas, consolida o até então embrionário cluster automóvel, induzindo ao seu redor o aparecimento de uma vasta constelação de unidades empresariais de componentes, promovidas por grandes multinacionais, por empresários locais e por “joint-ventures”; promove a inovação, introduzindo em Portugal novos métodos e tecnologias, nomeadamente dando uma nova ênfase às questões ambientais e à formação profissional; desenvolve uma região deprimida, como então se encontrava a Península de Setúbal, criando novas e modernas infra estruturas e, acima de tudo, emprego. Finalmente, mas não menos importante, promove na malha empresarial ligada ao projecto, a lógica de trabalhar em rede, integrando e valorizando saberes e experiências recíprocas.
Aliás, foi a grande aposta deste projecto nas questões da I&D, que levou a que o sector de componentes para automóvel fosse o primeiro no país a experimentar, de um modo continuado, a nova lógica da economia do conhecimento. De facto, em toda a estratégia empresarial deste enorme investimento a inovação constitui o factor decisivo, por excelência, para garantir a sua competitividade. Traduzindo essa nova dinâmica de uma moderna gestão empresarial, cita-se um alto dirigente da empresa, o qual afirma numa reunião comercial que,”a partir daqui, não há mais lugar para fornecedores passivos e estáticos a tirar partido de negócios cristalizados. Terá é que haver produtores dinâmicos obrigados a conhecer profundamente o negócio automóvel e não apenas as tecnologias, obrigados a trabalhar, a nível empresarial, em rede vertical e horizontal e fazer da inovação a ferramenta quotidiana da sua afirmação competitiva.”
Em termos macro, toda a década de noventa onde se desenvolveu, por excelência o projecto da AutoEuropa, foi politicamente caracterizada por uma assumida reabertura de mercados exteriores; por uma estratégia empresarial de construtores ao assumir como prioritário o projecto em questão e colhendo dele toda a dinâmica gestionária. Pela parte dos fornecedores, foi assumido um comportamento mais tecnológico e profissional, nomeadamente, consolidando competências e responsabilidades baseadas no rigoroso cumprimento do triângulo custo/qualidade/prazo. Da mesma maneira, também foram estudadas novas soluções no desenvolvimento das capacidades de engenharia e procuradas participações valorativas em cadeias de fornecimento com empresas nacionais e estrangeiras.
Em 2002, terminou o contrato de investimento entre o Estado e a AutoEuropa. Mas devido a interesses recíprocos e à vontade política de continuar com o desenvolvimento deste projecto, foi assinado em 2003 outro acordo, deste vez envolvendo os trabalhadores, que evitando não só despedimentos, veio também viabilizar um novo investimento de 500 milhões de euros na concretização de um novo projecto automóvel.
Actualmente a importância da Auro Europa para a economia nacional é indiscutível: 7% do PIB e cerca de 11% das exportações. Dos cerca de 100 mil carros produzidos no ano passado a esmagadora maioria roda em estradas no estrangeiro. Também o impacto social da empresa é bastante significativo. Possui cerca de 3 mil trabalhadores directos, ou seja, 0,5% da mão-de-obra portuguesa que trabalha no sector industrial. No entanto, este número pode chegar às 8.700 pessoas, se forem contabilizados os trabalhadores do parque industrial e outros serviços contratados, bem como de fornecedores da zona de implantação da unidade industrial.
Também por efeito da AutoEuropa, a facturação da indústria de componentes quadruplicou nos últimos dez anos e o sector automóvel, no seu conjunto, passou a ser o maior exportador nacional com cerca de 24% do total.
Voltando ao historial evolutivo do sector da indústria de componentes de auto, podemos concluir que a integração europeia foi, sem margem para dúvidas, a “driving-force” do cluster automóvel em Portugal. Sem o mercado interno europeu, sem os fundos comunitários e sem o Euro, o sector dificilmente teria a projecção que actualmente alcançou. No entanto, também não seríamos precisos nesta análise, se não realçássemos a envolvente positiva de uma política pública, não só baseada numa economia de mercado e no empreendorismo empresarial, como incentivadora da inovação tecnológica e de parcerias tecnológicas e financeiras em consonância com as necessidades para o desenvolvimento do sector automóvel, hoje já um cluster assumido no contexto do tecido industrial português.
GÉNESE DA INDUSTRIALIZAÇÃO PORTUGUESA
Para além de alguns casos pontuais de dinamização industrial, sobretudo no começo do século XX, pode-se hoje apontar a década de 50, com o rescaldo da Segunda Guerra Mundial e a vitória das teses industrialistas, como o início, de facto, se bem que ainda incipiente, de um processo minimamente estruturado da industrialização da economia portuguesa.
No entanto, se bem que irreversível, todo esse percurso de pré industrialização não correu sempre de forma linear. Toda a previsível mudança na habitual estrutura conservadora da política de então, não era bem vista pelo chamado “Estado Novo”, que encarou sempre com muita cautela e desconfiança qualquer laivo de progresso económico que pudesse vir a romper com as estruturas tradicionais.
Para ilustrar, a tremenda crise de indecisão perante o dualismo agricultura / indústria e o receio que causava na altura esse ainda nóvel processo de industrialização, não resistimos a transcrever um pequeno enxerto de um discurso de Salazar, datado de meados de 50, quando da apresentação de um plano de fomento : “Sabe-se que a indústria tem rentabilidade superior à agricultura e que só pela industrialização se pode decisivamente elevar o nível de vida. Temos , por outro lado que a agricultura, pela sua maior estabilidade, pelo seu enraizamento natural no solo e mais estreitas ligações com a produção de alimentos, constitui a garantia, por excelência, da própria vida e, devido à formação que imprime nas almas, manancial inesgotável de forças de resistência social...()....nós entendemos que a industrialização maciça do país, não deverá ser prosseguida, sem que se vá pondo a agricultura em condições de nos dar o máximo das suas possibilidades...”.
Esta visão de uma economia basicamente enraizada no mundo rural, além de estruturalmente obsoleta, era acima de tudo irrealista, já que a população dos campos procurava, naturalmente escapar ás condições de atraso e de miséria em que vivia, emigrando para o estrangeiro ou buscando emprego na indústria, criando, com isto, a desertificação do território ou fortes assimetrias regionais. Por sua vez, o país também não se podia fechar ás ideias que vinham de fora, ás comparações com o exterior e à influência das análises da OCDE. No começo da década de 60 eram numerosos os empresários, os governantes da área económica e os tecnocratas que proclamavam a necessidade de promover a transformação estrutural da economia, de intensificar as relações económicas com outros países europeus e de fomentar o desenvolvimento através de incentivos e do planeamento.
Por todos estes motivos, a década de 60 constitui o marco da mudança progressiva de uma estratégia económica, que acelerou consideravelmente o crescimento da economia portuguesa. É a partir desta altura que se desenham, de modo convergente e rápido, algumas transformações sociais e económicas que, outros países europeus já tinham experimentado no após guerra. Tal como nesses países, a industrialização e a terciarização da economia nacional, conheceram fortes impulsos, em contrapartida com a diminuição significativa da população agrícola e do êxodo do rural para o urbano ou do arranque incontrolável da forte emigração para os países europeus.
Poder-se-á concluir, que começaram a partir de aqui a serem concebidas de uma forma concertada e muitas delas consubstanciadas nos chamados Planos de Fomento, múltiplas acções de promoção de uma política de desenvolvimento industrial, como sejam: financiamento de novos projectos nas áreas da electricidade, das celuloses e dos adubos e da indústria siderúrgica; a concessão de créditos com taxas de juro baixas para novos projectos industriais; benefícios fiscais e isenções aduaneiras sobre equipamentos, maquinarias e produtos intermédios; protecção aduaneira contra a concorrência externa etc, etc..
Todo este modelo de desenvolvimento de apoio à incipiente indústria portuguesa assentava, fundamentalmente, em duas premissas: um agressivo proteccionismo aduaneiro contra a concorrência externa, dificultando a entrada de produtos e incentivando no plano interno uma política industrial de substituição de importações; contra a concorrência interna, um exigente regime de condicionamento industrial, fazendo depender de um rigoroso e difícil licenciamento o aparecimento de novas unidades fabris.
Aliás, é praticamente durante os anos 60, que beneficiando da cláusula protectora das “indústrias novas” do Tratado com a EFTA, a que tínhamos aderido recentemente, que arranca no Seixal a indústria siderúrgica e na zona da Azambuja as primeiras unidades de montagem de veículos automóveis.
Podemos hoje concluir que, de um modo geral, a indústria automóvel entrou em Portugal na segunda metade da década de 60, pela mão da EFTA. O investimento no sector foi feito, então, em unidades de mera “assemblage”, numa lógica de exploração do mercado local, tirando partido da zona de trocas livres criada por aquela Associação de Comércio Livre. Para a altura, foi, inegavelmente, um passo muito positivo para o contexto industrial português, mas de alcance ainda muito limitado. Positivo, porque criou empregos, gerou alguns inputs provenientes do tecido produtivo nacional e teve algum efeito na Balança Comercial. Limitado, porém, pois não induziu verdadeiras transferências de tecnologia provenientes do Know how interno, nem se ancorou, tampouco, no tecido industrial português.
Com o Acordo comercial Portugal - CEE de 1972 e, sobretudo mais tarde com o pedido de adesão à CEE em 1977, as unidades de montagem entraram praticamente em declínio, se bem que algumas ainda durem, embora reconvertidas, até aos dias de hoje. Foi então que surgiu, o primeiro e, na altura emblemático, grande investimento do sector automóvel em Portugal pela mão da Renault. Este projecto pelo sua relativa grandiosidade e ineditismo representou, fundamentalmente, um marco importante, não só para a diversificação da conjuntura económica de então, mas também para a continuidade do desenvolvimento do sector automóvel, agora mais inserido, no contexto do processo industrial português.
No entanto, se bem que irreversível, todo esse percurso de pré industrialização não correu sempre de forma linear. Toda a previsível mudança na habitual estrutura conservadora da política de então, não era bem vista pelo chamado “Estado Novo”, que encarou sempre com muita cautela e desconfiança qualquer laivo de progresso económico que pudesse vir a romper com as estruturas tradicionais.
Para ilustrar, a tremenda crise de indecisão perante o dualismo agricultura / indústria e o receio que causava na altura esse ainda nóvel processo de industrialização, não resistimos a transcrever um pequeno enxerto de um discurso de Salazar, datado de meados de 50, quando da apresentação de um plano de fomento : “Sabe-se que a indústria tem rentabilidade superior à agricultura e que só pela industrialização se pode decisivamente elevar o nível de vida. Temos , por outro lado que a agricultura, pela sua maior estabilidade, pelo seu enraizamento natural no solo e mais estreitas ligações com a produção de alimentos, constitui a garantia, por excelência, da própria vida e, devido à formação que imprime nas almas, manancial inesgotável de forças de resistência social...()....nós entendemos que a industrialização maciça do país, não deverá ser prosseguida, sem que se vá pondo a agricultura em condições de nos dar o máximo das suas possibilidades...”.
Esta visão de uma economia basicamente enraizada no mundo rural, além de estruturalmente obsoleta, era acima de tudo irrealista, já que a população dos campos procurava, naturalmente escapar ás condições de atraso e de miséria em que vivia, emigrando para o estrangeiro ou buscando emprego na indústria, criando, com isto, a desertificação do território ou fortes assimetrias regionais. Por sua vez, o país também não se podia fechar ás ideias que vinham de fora, ás comparações com o exterior e à influência das análises da OCDE. No começo da década de 60 eram numerosos os empresários, os governantes da área económica e os tecnocratas que proclamavam a necessidade de promover a transformação estrutural da economia, de intensificar as relações económicas com outros países europeus e de fomentar o desenvolvimento através de incentivos e do planeamento.
Por todos estes motivos, a década de 60 constitui o marco da mudança progressiva de uma estratégia económica, que acelerou consideravelmente o crescimento da economia portuguesa. É a partir desta altura que se desenham, de modo convergente e rápido, algumas transformações sociais e económicas que, outros países europeus já tinham experimentado no após guerra. Tal como nesses países, a industrialização e a terciarização da economia nacional, conheceram fortes impulsos, em contrapartida com a diminuição significativa da população agrícola e do êxodo do rural para o urbano ou do arranque incontrolável da forte emigração para os países europeus.
Poder-se-á concluir, que começaram a partir de aqui a serem concebidas de uma forma concertada e muitas delas consubstanciadas nos chamados Planos de Fomento, múltiplas acções de promoção de uma política de desenvolvimento industrial, como sejam: financiamento de novos projectos nas áreas da electricidade, das celuloses e dos adubos e da indústria siderúrgica; a concessão de créditos com taxas de juro baixas para novos projectos industriais; benefícios fiscais e isenções aduaneiras sobre equipamentos, maquinarias e produtos intermédios; protecção aduaneira contra a concorrência externa etc, etc..
Todo este modelo de desenvolvimento de apoio à incipiente indústria portuguesa assentava, fundamentalmente, em duas premissas: um agressivo proteccionismo aduaneiro contra a concorrência externa, dificultando a entrada de produtos e incentivando no plano interno uma política industrial de substituição de importações; contra a concorrência interna, um exigente regime de condicionamento industrial, fazendo depender de um rigoroso e difícil licenciamento o aparecimento de novas unidades fabris.
Aliás, é praticamente durante os anos 60, que beneficiando da cláusula protectora das “indústrias novas” do Tratado com a EFTA, a que tínhamos aderido recentemente, que arranca no Seixal a indústria siderúrgica e na zona da Azambuja as primeiras unidades de montagem de veículos automóveis.
Podemos hoje concluir que, de um modo geral, a indústria automóvel entrou em Portugal na segunda metade da década de 60, pela mão da EFTA. O investimento no sector foi feito, então, em unidades de mera “assemblage”, numa lógica de exploração do mercado local, tirando partido da zona de trocas livres criada por aquela Associação de Comércio Livre. Para a altura, foi, inegavelmente, um passo muito positivo para o contexto industrial português, mas de alcance ainda muito limitado. Positivo, porque criou empregos, gerou alguns inputs provenientes do tecido produtivo nacional e teve algum efeito na Balança Comercial. Limitado, porém, pois não induziu verdadeiras transferências de tecnologia provenientes do Know how interno, nem se ancorou, tampouco, no tecido industrial português.
Com o Acordo comercial Portugal - CEE de 1972 e, sobretudo mais tarde com o pedido de adesão à CEE em 1977, as unidades de montagem entraram praticamente em declínio, se bem que algumas ainda durem, embora reconvertidas, até aos dias de hoje. Foi então que surgiu, o primeiro e, na altura emblemático, grande investimento do sector automóvel em Portugal pela mão da Renault. Este projecto pelo sua relativa grandiosidade e ineditismo representou, fundamentalmente, um marco importante, não só para a diversificação da conjuntura económica de então, mas também para a continuidade do desenvolvimento do sector automóvel, agora mais inserido, no contexto do processo industrial português.
PLANO DE MARKETING E ORÇAMENTO
Plano de Marketing – programas ou linhas gerais de acção que incluem basicamente a afectação de recursos aos diferentes negócios e departamentos e a fixação de objectivos a atingir por cada um deles.
O plano de marketing consiste na quantificação dos custos e proveitos estimados pela empresa , decorrentes da implementação da estratégia definida. Devem-se estimar os proveitos decorrentes da estratégia de marketing definida e orçamentar os custos dessa estratégia. Neste orçamento irão quantificar-se os custos associados com cada variável do marketing mix.
Finalmente, é ainda usual fazer uma imputação dos custos de marketing por produto de forma a poder avaliar a verdadeira margem de contribuição de cada produto para os resultados da empresa. Em suma, o plano de marketing consiste na quantificação, por produtos e por variáveis do marketing mix, dos custos e proveitos que a empresa estima resultarem da estratégia de marketing que definiu.
Orçamento – trata-se da quantificação dos custos e proveitos estimados pela empresa, decorrentes da implementação da estratégia definida. Devem-se estimar os proveitos decorrentes da estratégia de marketing definida e orçamentar os custos dessa estratégia. Neste orçamento irão quantificar-se os custos associados com cada variável do marketing mix. Finalmente é ainda usual fazer uma imputação dos custos de marketing por produto de forma a poder avaliar a verdadeira margem de contribuição de cada produto para os resultados da empresa.
O plano de marketing consiste na quantificação dos custos e proveitos estimados pela empresa , decorrentes da implementação da estratégia definida. Devem-se estimar os proveitos decorrentes da estratégia de marketing definida e orçamentar os custos dessa estratégia. Neste orçamento irão quantificar-se os custos associados com cada variável do marketing mix.
Finalmente, é ainda usual fazer uma imputação dos custos de marketing por produto de forma a poder avaliar a verdadeira margem de contribuição de cada produto para os resultados da empresa. Em suma, o plano de marketing consiste na quantificação, por produtos e por variáveis do marketing mix, dos custos e proveitos que a empresa estima resultarem da estratégia de marketing que definiu.
Orçamento – trata-se da quantificação dos custos e proveitos estimados pela empresa, decorrentes da implementação da estratégia definida. Devem-se estimar os proveitos decorrentes da estratégia de marketing definida e orçamentar os custos dessa estratégia. Neste orçamento irão quantificar-se os custos associados com cada variável do marketing mix. Finalmente é ainda usual fazer uma imputação dos custos de marketing por produto de forma a poder avaliar a verdadeira margem de contribuição de cada produto para os resultados da empresa.
Benchmarking - Marketing
Benchmarking – existem várias definições para o conceito de benchmarking. A mais elementar considera-o uma técnica de observação e adopção das práticas das melhores empresas. Muitos confundem-no, por isso, com espionagem industrial. Os participantes do benchmarking estão, no entanto, submetidos a um código de ética, desenvolvido pelo Internacional Benchmarking Clearinghouse (IBC).
Segundo esta instituição o benchmarking consiste num processo sistemático e contínuo de medida e comparação das práticas de uma organização com as das líderes mundiais, no sentido de obter informações que a possam ajudar a melhorar o seu nível de desempenho.
A Rank Xerox é considerada a empresa pioneira na sua aplicação. O caso de como conseguiu ultrapassar os rivais nipónicos através do benchmarking tornou-se uma lenda do conceito.
A sua aplicação pode ser dividida em seis etapas: seleccionar o produto, o serviço, ou o processo a analisar; escolher quais as empresas concorrentes ou os departamentos internos que servirão de comparação; recolher a informação sobre o nível de desempenho dessa empresa e quais as suas melhores práticas; análise dos dados no sentido de descobrir as oportunidades de melhoria de desempenho; e promover a transposição das práticas estudadas para a empresa.
- O benchmarking pode ser classificado em:
• interno (quando a comparação é efectuada no interior da empresa, ao nível dos Departamentos ou funções);
• competitivo (quando se efectua a análise comparativa entre os produtos/serviços da empresa com os dos principais concorrentes directos);
• funcional (quando se compara as melhores práticas nas várias indústrias).
- O benchmarking aplica-se quando se estabelece como metas e objectivos finais colocar a Organização numa posição competitiva relativamente às melhores Organizações da indústria em causa.
- Os inputs utilizados por esta técnica são: os relatórios anuais, recurso a especialistas da Indústria e Consultores e surveys.
- O benchmarking tem como vantagens: permitir aos Gestores entenderem como se compara a performance funcional da sua Organização com a das outras e, identificarem o porquê das diferenças de performance existentes; poder ser usado para todas as áreas de uma Organização.
- Como inconveniente, temos: tentando superar o concorrente, a Organização pode sair derrotada por não atender às suas características específicas ou, ao nicho de mercado em que se insere.
Segundo esta instituição o benchmarking consiste num processo sistemático e contínuo de medida e comparação das práticas de uma organização com as das líderes mundiais, no sentido de obter informações que a possam ajudar a melhorar o seu nível de desempenho.
A Rank Xerox é considerada a empresa pioneira na sua aplicação. O caso de como conseguiu ultrapassar os rivais nipónicos através do benchmarking tornou-se uma lenda do conceito.
A sua aplicação pode ser dividida em seis etapas: seleccionar o produto, o serviço, ou o processo a analisar; escolher quais as empresas concorrentes ou os departamentos internos que servirão de comparação; recolher a informação sobre o nível de desempenho dessa empresa e quais as suas melhores práticas; análise dos dados no sentido de descobrir as oportunidades de melhoria de desempenho; e promover a transposição das práticas estudadas para a empresa.
- O benchmarking pode ser classificado em:
• interno (quando a comparação é efectuada no interior da empresa, ao nível dos Departamentos ou funções);
• competitivo (quando se efectua a análise comparativa entre os produtos/serviços da empresa com os dos principais concorrentes directos);
• funcional (quando se compara as melhores práticas nas várias indústrias).
- O benchmarking aplica-se quando se estabelece como metas e objectivos finais colocar a Organização numa posição competitiva relativamente às melhores Organizações da indústria em causa.
- Os inputs utilizados por esta técnica são: os relatórios anuais, recurso a especialistas da Indústria e Consultores e surveys.
- O benchmarking tem como vantagens: permitir aos Gestores entenderem como se compara a performance funcional da sua Organização com a das outras e, identificarem o porquê das diferenças de performance existentes; poder ser usado para todas as áreas de uma Organização.
- Como inconveniente, temos: tentando superar o concorrente, a Organização pode sair derrotada por não atender às suas características específicas ou, ao nicho de mercado em que se insere.
Estratégias de fixação do preço
Existem várias estratégias de fixação do preço:
• Estratégia “PREMIUM”: Associa produtos de elevadíssima qualidade a preços altos. Por exemplo: Ferrari, Rolls Royce;
• Estratégia Alto Valor: A qualidade é elevada , mas os preços poderiam ser mais elevados Por exemplo: Quando a FUJI baixou os seus preços com o intuito de combater os preços da KODAK;
• Estratégia Supervantagens: Quando uma empresa coloca um produto de qualidade superior a um preço mais baixo do que os concorrentes. Por exemplo: Produtos da marca Carrefour;
• Estratégia Alto Preço: Quando o preço do produto é elevado relativamente à sua qualidade. Por exemplo: PC’s da IBM (que relativamente à concorrência estão um tanto desactualizados) ;
• Estratégia Qualidade Média: Quando o preço do produto é proporcional à sua qualidade e esta última é razoável. Por exemplo: A Lixívia Neoblanc, A pasta dentífrica Colgate, etc;
• Estratégia Bom Preço: Quando o preço do produto é baixo, tendo em conta a sua qualidade. Por exemplo: Alguns produtos da marca Lidl;
• Estratégia Atacar e Retirar: São estratégias de curta duração, em que o preço é elevadíssimo, tendo em conta a baixa qualidade. Este tipo de estratégia raramente acontece devido à sua natureza ilógica;
• Estratégia Sobrevalorização: Quando se estabelecem preços mais altos do que era suposto tendo em consideração a qualidade baixa do produto ;
• Estratégia Produto Inferior: acontece quando um produto é reconhecidamente de qualidade inferior e a empresa faz uma publicidade coincidente com a qualidade do produto. Por exemplo o detergente Xau é comercializado a um preço inferior, e neste caso o preço corresponde à qualidade.
• Estratégia “PREMIUM”: Associa produtos de elevadíssima qualidade a preços altos. Por exemplo: Ferrari, Rolls Royce;
• Estratégia Alto Valor: A qualidade é elevada , mas os preços poderiam ser mais elevados Por exemplo: Quando a FUJI baixou os seus preços com o intuito de combater os preços da KODAK;
• Estratégia Supervantagens: Quando uma empresa coloca um produto de qualidade superior a um preço mais baixo do que os concorrentes. Por exemplo: Produtos da marca Carrefour;
• Estratégia Alto Preço: Quando o preço do produto é elevado relativamente à sua qualidade. Por exemplo: PC’s da IBM (que relativamente à concorrência estão um tanto desactualizados) ;
• Estratégia Qualidade Média: Quando o preço do produto é proporcional à sua qualidade e esta última é razoável. Por exemplo: A Lixívia Neoblanc, A pasta dentífrica Colgate, etc;
• Estratégia Bom Preço: Quando o preço do produto é baixo, tendo em conta a sua qualidade. Por exemplo: Alguns produtos da marca Lidl;
• Estratégia Atacar e Retirar: São estratégias de curta duração, em que o preço é elevadíssimo, tendo em conta a baixa qualidade. Este tipo de estratégia raramente acontece devido à sua natureza ilógica;
• Estratégia Sobrevalorização: Quando se estabelecem preços mais altos do que era suposto tendo em consideração a qualidade baixa do produto ;
• Estratégia Produto Inferior: acontece quando um produto é reconhecidamente de qualidade inferior e a empresa faz uma publicidade coincidente com a qualidade do produto. Por exemplo o detergente Xau é comercializado a um preço inferior, e neste caso o preço corresponde à qualidade.
DEFINIÇÃO E EVOLUÇÃO DO MARKETING
Definição de marketing – processo de gestão que consiste na identificação, antecipação e satisfação dos desejos e necessidades do cliente. É erradamente confundido com vendas ou publicidade. Os departamentos de marketing da maioria das grandes empresas são responsáveis por actividades como a publicidade, os estudos de mercado, a definição de preços, promoções e testes de novos produtos. No caso das pequenas e médias empresas, é comum a subcontratação de algumas destas actividades, como a publicidade e os estudos de mercado.
O Marketing na concepção tradicional é acessório (em relação à produção) e restrito (limita-se à venda, à distribuição física e à publicidade e aplica-se a alguns bens de grande consumo)
O Marketing na concepção moderna é proeminente (activo principal da empresa e da clientela) e lato no seu conteúdo (desde a concepção do produto ao pós-venda) e no seu campo de aplicação (bancos, bens industriais, jornais, igreja, partidos políticos, etc)
Prevê-se que em 2005 se assista a uma substancial desintermediação da actividade grossista e retalhista, devido ao comércio electrónico (ideia do eMarketing). Virtualmente, todos os produtos estão disponíveis sem a necessidade de deslocação a qualquer loja (exemplos: Pingo Doce, Continente, etc). As empresas bem sucedidas serão as que forem capazes de mudar as suas capacidades de marketing tão rapidamente como o seu próprio mercado. (Em ‘O Mkt em 2005’, por Philip Kotler)
O marketing não é um jogo nem uma arte. É um negócio. É essencial. É uma ciência: é necessário medir os resultados, analisar o sucesso, aprender a ouvir, saber questionar e explorar o futuro; é lícito a mudança de ideias. A marca e a imagem são essenciais para o alcance do sucesso. (O fim do Marketing ... como o conhecemos)
“Neo-Marketing” (Luiz Moutinho) – final do século XX
o A filosofia do “Neo-marketing” é essencialmente centrada no cliente.
o Palavras como “medida” e “contabilização” começam a ser utilizadas em marketing. A contabilização envolve dois conceitos: a transparência e a responsabilidade. Este último conceito tem a ver com as escolhas éticas correctas e de estratégias que não se tornem ofensivas para os consumidores.
o Os “integradores de produto” serão fundamentalmente diferentes dos actuais brand managers, visto que tomarão a liderança de equipas compostas por diversos especialistas funcionais e de produto. Se os pilares base das organizações de marketing do futuro forem os “integradores” e os “especialistas” a argamassa que os agregará será fornecida primordialmente pelos processos de negócio e não pelas funções tradicionais da empresa ou pelas unidades de negócio.
o Desde o aparecimento do conceito da gestão de processos – a ideia de que, mais do que através do funcionamento vertical dos departamentos, as decisões e as acções deveriam fluir horizontalmente através da organização, desde os inputs dos fornecedores até ao cliente – que o departamento de marketing passou a ser um sério candidato à reengenharia.
o O desafio mais difícil será a introdução de uma nova cultura de marketing. Aqueles que aceitarem o desafio serão, contudo, os que irão dispor de uma vantagem competitiva, que será traduzida num crescimento sustentável e rentável durante muitos anos.
“ e-Marketing” - século XXI
o este novo modelo concentra-se no fabrico de elementos modulares, concebidos para satisfazer as necessidades de cada cliente.
o A importância das políticas de marketing integradas está a aumentar, beneficiando simultaneamente quem compra e quem vende.
o O Customer Relation Management, aliada ao boom do eBusiness, é a última onda tecnológica a dar à costa. A concorrência actual ditou que se defina com exactidão as necessidades e expectativas do cliente. O chavão do mundo dos negócios – “o cliente está sempre em primeiro lugar” – está precisamente no centro do conceito de CRM (Customer Relationship Management), a gestão do contacto com clientes.
o A relação das empresas com os seus clientes pode ser gerida em grande com as soluções de CRM – 5 “dicas” para projectos de CRM:
- Os clientes mais rentáveis devem ser identificados e receber um atendimento diferenciado;
- Os sites e sistemas telefónicos com atendimento automático poupam tempo ao cliente e reduzem custos para a empresa;
- Uma base de dados unificada, que centralize a informação dos diversos sistemas da empresa, é essencial para chegar a bons resultados;
- Começar com campanhas de marketing pequenas permite avaliar a sua eficiência e serve de aprendizagem para projectos maiores;
- As campanhas de marketing abrangentes, sem segmentação dos clientes, além de serem caras têm pouco sucesso.
-
Evolução do ciclo de marketing (artigo ‘A roda do Marketing’: do artesanato ao digital) – desde o século XVIII
o 1. Estágio artesanal: one-to-one, customizado, marketing de relação;
o através dos meios modernos de transporte e o potencial de mass market, deram origem a:
o 2. Estágio industrial: one-to-many empresas orientadas para o produto; o marketing resume-se à gestão das vendas e à promoção;
o A grande oferta e mass market deram origem a:
o 3. Estágio do consumo de massa: one-to-many. Empresas orientadas para o consumidor; moderno mass marketing;
o O aumento da concorrência e a saturação dos mercados origina:
o 4. Estágio do Valor: one-to-few; marketing diferenciado;
o Tecnologias de informação possibilitaram:
o 5. Estágio digital: one-to-one, customizado, marketing de relação.
O Marketing na concepção tradicional é acessório (em relação à produção) e restrito (limita-se à venda, à distribuição física e à publicidade e aplica-se a alguns bens de grande consumo)
O Marketing na concepção moderna é proeminente (activo principal da empresa e da clientela) e lato no seu conteúdo (desde a concepção do produto ao pós-venda) e no seu campo de aplicação (bancos, bens industriais, jornais, igreja, partidos políticos, etc)
Prevê-se que em 2005 se assista a uma substancial desintermediação da actividade grossista e retalhista, devido ao comércio electrónico (ideia do eMarketing). Virtualmente, todos os produtos estão disponíveis sem a necessidade de deslocação a qualquer loja (exemplos: Pingo Doce, Continente, etc). As empresas bem sucedidas serão as que forem capazes de mudar as suas capacidades de marketing tão rapidamente como o seu próprio mercado. (Em ‘O Mkt em 2005’, por Philip Kotler)
O marketing não é um jogo nem uma arte. É um negócio. É essencial. É uma ciência: é necessário medir os resultados, analisar o sucesso, aprender a ouvir, saber questionar e explorar o futuro; é lícito a mudança de ideias. A marca e a imagem são essenciais para o alcance do sucesso. (O fim do Marketing ... como o conhecemos)
“Neo-Marketing” (Luiz Moutinho) – final do século XX
o A filosofia do “Neo-marketing” é essencialmente centrada no cliente.
o Palavras como “medida” e “contabilização” começam a ser utilizadas em marketing. A contabilização envolve dois conceitos: a transparência e a responsabilidade. Este último conceito tem a ver com as escolhas éticas correctas e de estratégias que não se tornem ofensivas para os consumidores.
o Os “integradores de produto” serão fundamentalmente diferentes dos actuais brand managers, visto que tomarão a liderança de equipas compostas por diversos especialistas funcionais e de produto. Se os pilares base das organizações de marketing do futuro forem os “integradores” e os “especialistas” a argamassa que os agregará será fornecida primordialmente pelos processos de negócio e não pelas funções tradicionais da empresa ou pelas unidades de negócio.
o Desde o aparecimento do conceito da gestão de processos – a ideia de que, mais do que através do funcionamento vertical dos departamentos, as decisões e as acções deveriam fluir horizontalmente através da organização, desde os inputs dos fornecedores até ao cliente – que o departamento de marketing passou a ser um sério candidato à reengenharia.
o O desafio mais difícil será a introdução de uma nova cultura de marketing. Aqueles que aceitarem o desafio serão, contudo, os que irão dispor de uma vantagem competitiva, que será traduzida num crescimento sustentável e rentável durante muitos anos.
“ e-Marketing” - século XXI
o este novo modelo concentra-se no fabrico de elementos modulares, concebidos para satisfazer as necessidades de cada cliente.
o A importância das políticas de marketing integradas está a aumentar, beneficiando simultaneamente quem compra e quem vende.
o O Customer Relation Management, aliada ao boom do eBusiness, é a última onda tecnológica a dar à costa. A concorrência actual ditou que se defina com exactidão as necessidades e expectativas do cliente. O chavão do mundo dos negócios – “o cliente está sempre em primeiro lugar” – está precisamente no centro do conceito de CRM (Customer Relationship Management), a gestão do contacto com clientes.
o A relação das empresas com os seus clientes pode ser gerida em grande com as soluções de CRM – 5 “dicas” para projectos de CRM:
- Os clientes mais rentáveis devem ser identificados e receber um atendimento diferenciado;
- Os sites e sistemas telefónicos com atendimento automático poupam tempo ao cliente e reduzem custos para a empresa;
- Uma base de dados unificada, que centralize a informação dos diversos sistemas da empresa, é essencial para chegar a bons resultados;
- Começar com campanhas de marketing pequenas permite avaliar a sua eficiência e serve de aprendizagem para projectos maiores;
- As campanhas de marketing abrangentes, sem segmentação dos clientes, além de serem caras têm pouco sucesso.
-
Evolução do ciclo de marketing (artigo ‘A roda do Marketing’: do artesanato ao digital) – desde o século XVIII
o 1. Estágio artesanal: one-to-one, customizado, marketing de relação;
o através dos meios modernos de transporte e o potencial de mass market, deram origem a:
o 2. Estágio industrial: one-to-many empresas orientadas para o produto; o marketing resume-se à gestão das vendas e à promoção;
o A grande oferta e mass market deram origem a:
o 3. Estágio do consumo de massa: one-to-many. Empresas orientadas para o consumidor; moderno mass marketing;
o O aumento da concorrência e a saturação dos mercados origina:
o 4. Estágio do Valor: one-to-few; marketing diferenciado;
o Tecnologias de informação possibilitaram:
o 5. Estágio digital: one-to-one, customizado, marketing de relação.
ANÁLISE SWOT - Marketing
Análise SWOT – criada por Kenneth Andrews e Roland Christensen, professores da Harvard Business School, a análise SWOT examina a organização segundo 4 variáveis.
O objectivo desta abordagem é descobrir quais devem ser os objectivos e estratégias de Marketing. Através desta metodologia, e analisando a informação às auditorias de Marketing efectuadas previamente, poderá fazer-se uma inventariação das forças e fraquezas da empresa e das oportunidades e ameaças do meio ambiente.
Eis as questões a responder em cada um destes pontos:
o Forças – quais são os pontos fortes da organização? Quais as competências estratégicas que a distinguem da concorrência? Será que essas forças se traduzem em vantagens competitivas ao nível da quota de mercado ou da satisfação dos clientes?
o Fraquezas – quais os pontos fracos da organização? Quais as competências que precisamos de reforçar? Será que essas fraquezas implicam uma desvantagem em relação aos concorrentes e uma maior vulnerabilidade da organização?
o Oportunidades – quais são as alterações previsíveis no meio envolvente que podem transformar-se em oportunidades de negócio? Que novos mercados poderão despontar? Em que áreas se prevê um aumento da procura? Que eventuais alterações nas variáveis económicas, políticas, tecnológicas ou sociais terão um maior impacte na organização?
o Ameaças – quais são as alterações previsíveis no meio envolvente que poderão transformar-se em ameaças para a organização? Será que a economia ou a indústria vai entrar em recessão? Poderão aumentar as barreiras à entrada em novos mercados? Estará a empresa vulnerável a acontecimentos imprevistos no mercado ou nos seus clientes?
O objectivo desta abordagem é descobrir quais devem ser os objectivos e estratégias de Marketing. Através desta metodologia, e analisando a informação às auditorias de Marketing efectuadas previamente, poderá fazer-se uma inventariação das forças e fraquezas da empresa e das oportunidades e ameaças do meio ambiente.
Eis as questões a responder em cada um destes pontos:
o Forças – quais são os pontos fortes da organização? Quais as competências estratégicas que a distinguem da concorrência? Será que essas forças se traduzem em vantagens competitivas ao nível da quota de mercado ou da satisfação dos clientes?
o Fraquezas – quais os pontos fracos da organização? Quais as competências que precisamos de reforçar? Será que essas fraquezas implicam uma desvantagem em relação aos concorrentes e uma maior vulnerabilidade da organização?
o Oportunidades – quais são as alterações previsíveis no meio envolvente que podem transformar-se em oportunidades de negócio? Que novos mercados poderão despontar? Em que áreas se prevê um aumento da procura? Que eventuais alterações nas variáveis económicas, políticas, tecnológicas ou sociais terão um maior impacte na organização?
o Ameaças – quais são as alterações previsíveis no meio envolvente que poderão transformar-se em ameaças para a organização? Será que a economia ou a indústria vai entrar em recessão? Poderão aumentar as barreiras à entrada em novos mercados? Estará a empresa vulnerável a acontecimentos imprevistos no mercado ou nos seus clientes?
16 de Jan de 2009
INOVAÇÃO EMPRESARIAL: DESAFIOS GLOBAIS, ACÇÔES REGIONAIS
Actualmente, um tema premente, será sem duvida o da sociedade e a economia do conhecimento, onde os tradicionais factores de produção; a terra, o capital e o trabalho; deixaram de ser o principal impulsionador de riqueza, sendo substituídos pelo conhecimento. Esta nova economia está baseada num conceito inverso à economia tradicional, visto que o conhecimento, ao contrário do que acontece com outros recursos, não diminui com o uso, mas sim aumenta.
Indícios desta mudança são, entre outros: o aumento da participação do segmento de serviços na economia, o aumento do valor acrescentado de diversos produtos em função de uma considerável parcela de conhecimento neles embutido, bem como o aumento da riqueza mundial devido aos bens e produtos intangíveis (software, patentes, música, serviços de consultoria, etc.).
Desta forma, são muitos os desafios globais que se colocam hoje em dia às empresas europeias e, por conseguinte, às empresas portuguesas. Alguns dos mais críticos desafios, prendem-se claramente com o papel da inovação na melhoria do desempenho e no aumento da competitividade.
Um Trade-off contemporâneo, Inovação vs Desemprego
Em primeiro lugar, a inovação, que tem como objectivo o aumento de produtividade e de eficiência, imprescindíveis para uma maior eficácia competitiva, leva à optimização na utilização dos recursos e, no curto prazo, inevitavelmente, ao aumento do desemprego. De facto, pode dizer-se que, objectivamente, “produzem-se mais coisas com menos pessoas” através de processos, tecnológicos ou não, crescentemente automatizados.
No entanto, todo este processo tenderá a ser ajustado no médio/longo prazo, como aliás na Teoria Económica nos diz a Curva de Phillips Ajustada através de reajustamentos do próprio mercado ( onde a oferta responde a estímulos da procura ), a uma nova variedade de produtos, com alto teor de conhecimento incorporado, que resultarão inevitavelmente na criação de postos de trabalho em novas áreas decorrentes de todo a dinâmica de Inovação.
Novos actores globais, o exemplo da China.
O segundo desafio surge com o emergir de novos blocos económicos nos mercados de exportação, nomeadamente, de um ponto de vista muito superficial uma vez que não é o âmbito deste documento, os Países do Leste Europeu e em grande medida da China, que tem vindo a crescer com ritmos próximos dos dois dígitos, ultrapassando já o Japão nas quotas de mercados de exportação. A China, não se contentará em ser a “fábrica mundial” dos produtos de baixa tecnologia e inferior valor acrescentado, competindo no futuro em sectores e produtos tão diversos como o calçado e vestuário, ou a electrónica de consumo e a maquinaria sofisticada.
PORTUGAL E A PRODUÇÃO BASEADA NO CONHECIMENTO
As respostas para estes dois problemas terão de ser encontradas na, muito falada mas nada trivial, alteração de paradigma industrial: a passagem do fabrico baseado em recursos para o fabrico baseado em conhecimento. E, ao fazer isso, ir de encontro, ou mesmo antecipar, os requisitos do mercado.
No caso de Portugal, é óbvio que isto significa o abandono de um modelo de competição com base em produção com custos baixos da mão de obra, sofisticando a capacidade de fabrico e alargando-a sistematicamente a outras funções, como o design, engenharia e desenvolvimento de novas tecnologias ( como a aposta definitiva na biotecnologia, na nanotecnologia etc). E, simultaneamente, procurar seguir os países mais avançados da Europa no caminho da valorização do conhecimento científico em termos de mercado, da orientação da I&D para a aplicação e no privilegiar da inovação tecnológica de base científica (“science-based innovation”). Portugal deve fazer tudo isto preparando-se para competir em áreas de negócio de futuro para a Europa, como a área da Saúde/Ciências da vida, os cuidados para a 3.ª idade, a preservação energética e ambiental, turismo apostado na diferenciação, etc.
A incorporação do Conhecimento na produção
De facto, Portugal é forte no fabrico, mas já foi provado que isso não chega. Ao controlar apenas o fabrico, pode ser muita baixa a participação na cadeia de valor e sair muito fragilizada a posição de uma empresa, porque é facilmente substituível. Actualmente, o valor dos serviços e produtos, é cada vez mais dependente do seu conteúdo de tecnologia, inovação e inteligência. O que mostra um aumento relativo da quantidade de trabalho sobre a informação, em detrimento de uma relação inversa de quantidade de trabalho sobre a matéria, ou seja, a desmaterialização ou informacionalização do trabalho. Com efeito, o resultado desta nova premissa, resulta em processos/cadeias de valor, cada vez mais longas entre a matéria-prima e o produto final, onde em cada etapa trabalha-se mais sobre a informação do que sobre a matéria, fazendo assim com que o valor acrescentado final, dependa menos da própria matéria.
Como vemos então, a resposta será evoluir no sentido de, através da maior incorporação de conhecimento, conseguir um maior valor acrescentado, incluindo funções a montante e a jusante do processo de fabrico, e apostar nos produtos estendidos e nos serviços que se podem oferecer sobre produtos e sistemas com o objectivo de maximizar o valor para o cliente. A disponibilização de bens e serviços tem naturalmente de ir de encontro à satisfação das necessidades individuais e da sociedade, actuais ou emergentes.
De tudo isto, decorre que tanto os padrões de consumo como os padrões de produção, apresentem exigências crescentes de tecnologia. A complexidade dos produtos tem aumentado exponencialmente desde a década de 50 em todos os sectores, colocando os paradigmas da “convergência tecnológica” e das “novas competências” na ordem do dia. A cadeia de valor qualificacao-investigacao-inovacao tornou-se mais complexa e mais exigente em termos de recursos.
Indícios desta mudança são, entre outros: o aumento da participação do segmento de serviços na economia, o aumento do valor acrescentado de diversos produtos em função de uma considerável parcela de conhecimento neles embutido, bem como o aumento da riqueza mundial devido aos bens e produtos intangíveis (software, patentes, música, serviços de consultoria, etc.).
Desta forma, são muitos os desafios globais que se colocam hoje em dia às empresas europeias e, por conseguinte, às empresas portuguesas. Alguns dos mais críticos desafios, prendem-se claramente com o papel da inovação na melhoria do desempenho e no aumento da competitividade.
Um Trade-off contemporâneo, Inovação vs Desemprego
Em primeiro lugar, a inovação, que tem como objectivo o aumento de produtividade e de eficiência, imprescindíveis para uma maior eficácia competitiva, leva à optimização na utilização dos recursos e, no curto prazo, inevitavelmente, ao aumento do desemprego. De facto, pode dizer-se que, objectivamente, “produzem-se mais coisas com menos pessoas” através de processos, tecnológicos ou não, crescentemente automatizados.
No entanto, todo este processo tenderá a ser ajustado no médio/longo prazo, como aliás na Teoria Económica nos diz a Curva de Phillips Ajustada através de reajustamentos do próprio mercado ( onde a oferta responde a estímulos da procura ), a uma nova variedade de produtos, com alto teor de conhecimento incorporado, que resultarão inevitavelmente na criação de postos de trabalho em novas áreas decorrentes de todo a dinâmica de Inovação.
Novos actores globais, o exemplo da China.
O segundo desafio surge com o emergir de novos blocos económicos nos mercados de exportação, nomeadamente, de um ponto de vista muito superficial uma vez que não é o âmbito deste documento, os Países do Leste Europeu e em grande medida da China, que tem vindo a crescer com ritmos próximos dos dois dígitos, ultrapassando já o Japão nas quotas de mercados de exportação. A China, não se contentará em ser a “fábrica mundial” dos produtos de baixa tecnologia e inferior valor acrescentado, competindo no futuro em sectores e produtos tão diversos como o calçado e vestuário, ou a electrónica de consumo e a maquinaria sofisticada.
PORTUGAL E A PRODUÇÃO BASEADA NO CONHECIMENTO
As respostas para estes dois problemas terão de ser encontradas na, muito falada mas nada trivial, alteração de paradigma industrial: a passagem do fabrico baseado em recursos para o fabrico baseado em conhecimento. E, ao fazer isso, ir de encontro, ou mesmo antecipar, os requisitos do mercado.
No caso de Portugal, é óbvio que isto significa o abandono de um modelo de competição com base em produção com custos baixos da mão de obra, sofisticando a capacidade de fabrico e alargando-a sistematicamente a outras funções, como o design, engenharia e desenvolvimento de novas tecnologias ( como a aposta definitiva na biotecnologia, na nanotecnologia etc). E, simultaneamente, procurar seguir os países mais avançados da Europa no caminho da valorização do conhecimento científico em termos de mercado, da orientação da I&D para a aplicação e no privilegiar da inovação tecnológica de base científica (“science-based innovation”). Portugal deve fazer tudo isto preparando-se para competir em áreas de negócio de futuro para a Europa, como a área da Saúde/Ciências da vida, os cuidados para a 3.ª idade, a preservação energética e ambiental, turismo apostado na diferenciação, etc.
A incorporação do Conhecimento na produção
De facto, Portugal é forte no fabrico, mas já foi provado que isso não chega. Ao controlar apenas o fabrico, pode ser muita baixa a participação na cadeia de valor e sair muito fragilizada a posição de uma empresa, porque é facilmente substituível. Actualmente, o valor dos serviços e produtos, é cada vez mais dependente do seu conteúdo de tecnologia, inovação e inteligência. O que mostra um aumento relativo da quantidade de trabalho sobre a informação, em detrimento de uma relação inversa de quantidade de trabalho sobre a matéria, ou seja, a desmaterialização ou informacionalização do trabalho. Com efeito, o resultado desta nova premissa, resulta em processos/cadeias de valor, cada vez mais longas entre a matéria-prima e o produto final, onde em cada etapa trabalha-se mais sobre a informação do que sobre a matéria, fazendo assim com que o valor acrescentado final, dependa menos da própria matéria.
Como vemos então, a resposta será evoluir no sentido de, através da maior incorporação de conhecimento, conseguir um maior valor acrescentado, incluindo funções a montante e a jusante do processo de fabrico, e apostar nos produtos estendidos e nos serviços que se podem oferecer sobre produtos e sistemas com o objectivo de maximizar o valor para o cliente. A disponibilização de bens e serviços tem naturalmente de ir de encontro à satisfação das necessidades individuais e da sociedade, actuais ou emergentes.
De tudo isto, decorre que tanto os padrões de consumo como os padrões de produção, apresentem exigências crescentes de tecnologia. A complexidade dos produtos tem aumentado exponencialmente desde a década de 50 em todos os sectores, colocando os paradigmas da “convergência tecnológica” e das “novas competências” na ordem do dia. A cadeia de valor qualificacao-investigacao-inovacao tornou-se mais complexa e mais exigente em termos de recursos.
ECONOMIA PORTUGUESA - ultimas previsões
Uma pequena economia como a portuguesa, plenamente integrada em termos económico-financeiros com os fluxos do comércio internacional, é invariavelmente perturbada pela interacção entre a actual crise financeira internacional e o consequente abrandamento da economia mundial. Este efeito de propagação, transmite-se à economia portuguesa através de uma diversidade de canais e sob várias formas, incluindo a redução da procura externa dirigida às empresas nacionais, a deterioração das expectativas de crescimento económico por parte dos agentes ou, a elevada incerteza face à evolução futura da situação económica e financeira.
Contudo e apesar da assumida descida das taxas de juro do mercado monetário para níveis inferiores aos registados em 2008 (na média), a maior restritividade das condições de financiamento dos bancos nacionais nos mercados financeiros internacionais, a que acresce ainda, a deterioração do balanço das famílias e das empresas, deverão implicar alguma compressão dos critérios de concessão de crédito pelos bancos aos agentes económicos.
Desta forma, as condições de solvabilidade decorrentes das restrições orçamentais intertemporais das famílias e empresas tenderão, a tornar-se mais activas dado o elevado endividamento do sector privado (não financeiro).
Neste enquadramento externo desfavorável, as actuais projecções económicas de diversas entidades credenciadas, de forma generalizada, perspectivam uma contracção da actividade económica em 2009, seguida de uma recuperação moderada em 2010. Concretamente, antevê-se um forte abrandamento do consumo privado e uma contracção do investimento para o próximo biénio, acompanhados por um significativo abrandamento das exportações.
O adensamento da crise financeira e a redução das expectativas de inflação, em conjugação com a dinâmica de desaceleração da actividade económica mundial determinaram, a generalização de políticas monetárias mais acomodatícias. Adicionalmente, foram anunciadas diversas medidas, com o objectivo de reforçar a confiança e restabelecer o funcionamento regular dos mercados financeiros. Por outro lado, foram adoptadas várias iniciativas de política orçamental tendo em vista a estabilização da actividade económica.
O contexto internacional, marcado por uma elevada turbulência nos mercados financeiros, implica riscos descendentes sobre a actividade económica em Portugal. Adicionalmente, a manutenção de um elevado grau de incerteza sobre a magnitude e persistência da actual situação de crise financeira, designadamente sobre o impacto das medidas que têm vindo a ser tomadas pelas autoridades, tenderá a induzir um adiamento de decisões de despesa dos agentes, implicando igualmente riscos descendentes sobre a actividade económica.
No entanto, a economia portuguesa per si, continua a ser caracterizada por um conjunto de fragilidades de natureza estrutural que se tem traduzido, essencialmente, num fraco dinamismo da produtividade dos factores.
Assim, importa que os agentes económicos não deixem de interiorizar as vantagens da prossecução de um quadro orçamental orientado para a estabilidade macroeconómica no médio e longo prazo e, por outro, mantenham uma dinâmica de reestruturação da economia portuguesa, de forma a direccionar a produção de bens e serviços para segmentos com maior valor acrescentado e mercados com maiores perspectivas de crescimento no médio prazo.
Esta dinâmica, afigura-se essencial para a criação de condições que assegurem, após o presente período de abrandamento, o reinício de um processo sustentado de crescimento da economia portuguesa.
Finalmente, o baixo crescimento da actividade económica que Portugal tem evidenciado nos últimos anos traduz, não apenas, um baixo dinamismo da produtividade mas também, um baixo crescimento do emprego e do stock de capital, que não podem ser aferidos numa perspectiva meramente cíclica. Neste contexto, a implementação de reformas conducentes a uma maior eficiência na afectação de recursos, revela-se crucial para a promoção de um aumento sustentado dos níveis de produtividade e emprego, assim como, na criação de condições propícias ao investimento e à inovação.
Comentários tendo por base informação disponibilizada pelo Banco de Portugal
Contudo e apesar da assumida descida das taxas de juro do mercado monetário para níveis inferiores aos registados em 2008 (na média), a maior restritividade das condições de financiamento dos bancos nacionais nos mercados financeiros internacionais, a que acresce ainda, a deterioração do balanço das famílias e das empresas, deverão implicar alguma compressão dos critérios de concessão de crédito pelos bancos aos agentes económicos.
Desta forma, as condições de solvabilidade decorrentes das restrições orçamentais intertemporais das famílias e empresas tenderão, a tornar-se mais activas dado o elevado endividamento do sector privado (não financeiro).
Neste enquadramento externo desfavorável, as actuais projecções económicas de diversas entidades credenciadas, de forma generalizada, perspectivam uma contracção da actividade económica em 2009, seguida de uma recuperação moderada em 2010. Concretamente, antevê-se um forte abrandamento do consumo privado e uma contracção do investimento para o próximo biénio, acompanhados por um significativo abrandamento das exportações.
O adensamento da crise financeira e a redução das expectativas de inflação, em conjugação com a dinâmica de desaceleração da actividade económica mundial determinaram, a generalização de políticas monetárias mais acomodatícias. Adicionalmente, foram anunciadas diversas medidas, com o objectivo de reforçar a confiança e restabelecer o funcionamento regular dos mercados financeiros. Por outro lado, foram adoptadas várias iniciativas de política orçamental tendo em vista a estabilização da actividade económica.
O contexto internacional, marcado por uma elevada turbulência nos mercados financeiros, implica riscos descendentes sobre a actividade económica em Portugal. Adicionalmente, a manutenção de um elevado grau de incerteza sobre a magnitude e persistência da actual situação de crise financeira, designadamente sobre o impacto das medidas que têm vindo a ser tomadas pelas autoridades, tenderá a induzir um adiamento de decisões de despesa dos agentes, implicando igualmente riscos descendentes sobre a actividade económica.
No entanto, a economia portuguesa per si, continua a ser caracterizada por um conjunto de fragilidades de natureza estrutural que se tem traduzido, essencialmente, num fraco dinamismo da produtividade dos factores.
Assim, importa que os agentes económicos não deixem de interiorizar as vantagens da prossecução de um quadro orçamental orientado para a estabilidade macroeconómica no médio e longo prazo e, por outro, mantenham uma dinâmica de reestruturação da economia portuguesa, de forma a direccionar a produção de bens e serviços para segmentos com maior valor acrescentado e mercados com maiores perspectivas de crescimento no médio prazo.
Esta dinâmica, afigura-se essencial para a criação de condições que assegurem, após o presente período de abrandamento, o reinício de um processo sustentado de crescimento da economia portuguesa.
Finalmente, o baixo crescimento da actividade económica que Portugal tem evidenciado nos últimos anos traduz, não apenas, um baixo dinamismo da produtividade mas também, um baixo crescimento do emprego e do stock de capital, que não podem ser aferidos numa perspectiva meramente cíclica. Neste contexto, a implementação de reformas conducentes a uma maior eficiência na afectação de recursos, revela-se crucial para a promoção de um aumento sustentado dos níveis de produtividade e emprego, assim como, na criação de condições propícias ao investimento e à inovação.
Comentários tendo por base informação disponibilizada pelo Banco de Portugal
A RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS EMPRESAS - RSE
A responsabilidade social das empresas é a integração voluntária de preocupações sociais e ambientais nas suas operações e na sua interacção com todas as partes interessadas. Assim, as empresas contribuem para a satisfação das necessidades dos seus clientes, gerindo simultaneamente as expectativas dos trabalhadores, dos fornecedores e da comunidade local. Trata-se de contribuir, de forma positiva, para a sociedade e de gerir os impactos ambientais da empresa, o que poderá proporcionar vantagens directas para o negócio e assegurar a competitividade a longo prazo.
A responsabilidade social das empresas (RSE) é um tema de actualidade inquestionável. Nos últimos anos, consolidou-se a noção de que as empresas podem e devem assumir na sociedade um papel mais amplo, transcendendo a sua vocação básica de criação de riqueza.
O esforço e a atitude das empresas em respeitarem e incorporarem nas suas estratégias, princípios, práticas e normas de conduta que potenciem e enriqueçam as relações com colaboradores, clientes, accionistas, fornecedores, concorrentes e entidades públicas (Stakeholders), beneficiam toda a comunidade e é comprovadamente valorizado.
II. OS FACTORES DE DIFERENCIAÇÃO
Face ao contexto supra mencionado, deve-se fazer uma breve reflexão sobre a RSE, centrada em três vectores:
1. A forma como deve ser assumida a RSE e a sua inserção nos objectivos estratégicos das empresas;
Pela aceitação autentica e voluntária de princípios de conduta socialmente irrepreensíveis, ponderando aspectos éticos, sociais e ambientais nas suas tomadas de decisão tanto ao nível operacional como estratégico. Compete aos gestores equilibrar esta aceitação sem, prejuízo da criação de valor para o Accionista, mantendo a sua orientação para o Cliente, a motivação dos seus colaboradores e as suas obrigações sociais.
2. Qual o enfoque primordial que a RSE assume no contexto competitivo à escala global;
Centra-se particularmente no "Corporate Governance" e na transparência da aplicação de práticas e normas de conduta na sua relação com a Sociedade. A transparência é factor crucial de aferição do grau de Responsabilidade Social da Empresa em conjunto e como complemento ao ordenamento legal.
3. De que modo a RSE pode ser um factor de diferenciação e de vantagem competitiva.
Já é um facto de que as condutas e práticas socialmente responsáveis geram resultados, enquanto factor de valorização e sustentabilidade empresarial a longo prazo. Favorecem a imagem corporativa da Empresa, os seus produtos e serviços.
III. TRIPLE BOTTOM LINE
De acordo com o Livro Verde para a RSE da Comissão Europeia, as organizações “responsáveis” seguem um modelo de gestão baseado no triple bottom line, também conhecido por 3 P’s, que tem em consideração o impacto económico (profit), social (people) e ambiental (planet) de todas as actividades da empresa.
Impacto Económico – Os negócios devem medir o impacto económico que têm nos seus recursos humanos, fornecedores, sociedade, etc. Por exemplo, no relatório de contas, em que são normalmente destacados os lucros ou a rentabilidade da empresa, podem ser também sublinhadas as consequências que o seu desempenho tem na situação financeira dos seus intervenientes.
Impacto Social – A acção das organizações influenciam igualmente a dimensão social da vida de todas as partes que com elas interagem (empregados, consumidores, fornecedores, colaboradores, etc.). Esta preocupação reflecte-se, por exemplo, no respeito pelos direitos dos trabalhadores ou noutras iniciativas dirigidas aos recursos humanos, como o apoio à formação, a aceitação dos compromissos da vida privada dos colaboradores, o incentivo à participação dos trabalhadores nos sindicatos, etc.
Impacto Ambiental – Ao estarem atentas às implicações que as suas actividades têm no meio ambiente (sistemas naturais, ecossistemas, solos, ar, água), as empresas revelam a sua responsabilidade social. Neste campo, existem diversas medidas que podem ser promovidas pelos negócios, desde a reciclagem de tinteiros até à adopção de sistemas de poupança de energia.
IV. CONCLUSÃO
As empresas que se envolvem em projectos de responsabilidade social estão assim a integrar os valores do desenvolvimento sustentável na sua gestão. Deste modo, as organizações “responsáveis” não trabalham apenas para satisfazer as suas próprias necessidades, mas também para o bem-estar da sua geração e das gerações futuras. Quando cumprem a sua responsabilidade social, as entidades estão a zelar e a respeitar os interesses de todos.
As empresas que conseguirem através dos seus gestores, equilibrar as políticas de Responsabilidade Social da Empresa com os seus objectivos operacionais e estratégicos, conciliando ao mesmo tempo os interesses das partes interessadas (Stakeholders), serão as que atingirão maiores benefícios e vantagem competitiva. A Responsabilidade Social da Empresa será assim uma fonte inovadora de geração de valor e criação de riqueza não só para os seus Stakeholders, mas também para toda a Sociedade.
A responsabilidade social das empresas (RSE) é um tema de actualidade inquestionável. Nos últimos anos, consolidou-se a noção de que as empresas podem e devem assumir na sociedade um papel mais amplo, transcendendo a sua vocação básica de criação de riqueza.
O esforço e a atitude das empresas em respeitarem e incorporarem nas suas estratégias, princípios, práticas e normas de conduta que potenciem e enriqueçam as relações com colaboradores, clientes, accionistas, fornecedores, concorrentes e entidades públicas (Stakeholders), beneficiam toda a comunidade e é comprovadamente valorizado.
II. OS FACTORES DE DIFERENCIAÇÃO
Face ao contexto supra mencionado, deve-se fazer uma breve reflexão sobre a RSE, centrada em três vectores:
1. A forma como deve ser assumida a RSE e a sua inserção nos objectivos estratégicos das empresas;
Pela aceitação autentica e voluntária de princípios de conduta socialmente irrepreensíveis, ponderando aspectos éticos, sociais e ambientais nas suas tomadas de decisão tanto ao nível operacional como estratégico. Compete aos gestores equilibrar esta aceitação sem, prejuízo da criação de valor para o Accionista, mantendo a sua orientação para o Cliente, a motivação dos seus colaboradores e as suas obrigações sociais.
2. Qual o enfoque primordial que a RSE assume no contexto competitivo à escala global;
Centra-se particularmente no "Corporate Governance" e na transparência da aplicação de práticas e normas de conduta na sua relação com a Sociedade. A transparência é factor crucial de aferição do grau de Responsabilidade Social da Empresa em conjunto e como complemento ao ordenamento legal.
3. De que modo a RSE pode ser um factor de diferenciação e de vantagem competitiva.
Já é um facto de que as condutas e práticas socialmente responsáveis geram resultados, enquanto factor de valorização e sustentabilidade empresarial a longo prazo. Favorecem a imagem corporativa da Empresa, os seus produtos e serviços.
III. TRIPLE BOTTOM LINE
De acordo com o Livro Verde para a RSE da Comissão Europeia, as organizações “responsáveis” seguem um modelo de gestão baseado no triple bottom line, também conhecido por 3 P’s, que tem em consideração o impacto económico (profit), social (people) e ambiental (planet) de todas as actividades da empresa.
Impacto Económico – Os negócios devem medir o impacto económico que têm nos seus recursos humanos, fornecedores, sociedade, etc. Por exemplo, no relatório de contas, em que são normalmente destacados os lucros ou a rentabilidade da empresa, podem ser também sublinhadas as consequências que o seu desempenho tem na situação financeira dos seus intervenientes.
Impacto Social – A acção das organizações influenciam igualmente a dimensão social da vida de todas as partes que com elas interagem (empregados, consumidores, fornecedores, colaboradores, etc.). Esta preocupação reflecte-se, por exemplo, no respeito pelos direitos dos trabalhadores ou noutras iniciativas dirigidas aos recursos humanos, como o apoio à formação, a aceitação dos compromissos da vida privada dos colaboradores, o incentivo à participação dos trabalhadores nos sindicatos, etc.
Impacto Ambiental – Ao estarem atentas às implicações que as suas actividades têm no meio ambiente (sistemas naturais, ecossistemas, solos, ar, água), as empresas revelam a sua responsabilidade social. Neste campo, existem diversas medidas que podem ser promovidas pelos negócios, desde a reciclagem de tinteiros até à adopção de sistemas de poupança de energia.
IV. CONCLUSÃO
As empresas que se envolvem em projectos de responsabilidade social estão assim a integrar os valores do desenvolvimento sustentável na sua gestão. Deste modo, as organizações “responsáveis” não trabalham apenas para satisfazer as suas próprias necessidades, mas também para o bem-estar da sua geração e das gerações futuras. Quando cumprem a sua responsabilidade social, as entidades estão a zelar e a respeitar os interesses de todos.
As empresas que conseguirem através dos seus gestores, equilibrar as políticas de Responsabilidade Social da Empresa com os seus objectivos operacionais e estratégicos, conciliando ao mesmo tempo os interesses das partes interessadas (Stakeholders), serão as que atingirão maiores benefícios e vantagem competitiva. A Responsabilidade Social da Empresa será assim uma fonte inovadora de geração de valor e criação de riqueza não só para os seus Stakeholders, mas também para toda a Sociedade.
IMPACTOS DA CRISE NA ECONOMIA PORTUGUESA
O grau de abertura ao exterior da economia portuguesa e o forte relacionamento comercial com economias bastante vulneráveis à crise de crédito justifica, per si que, os riscos para o crescimento da economia nacional sejam preocupantes .
De facto, os elevados níveis de endividamento de famílias e empresas nacionais, conjugado, com o elevado ritmo de concessão de crédito sugerem, que a economia portuguesa não ficará indiferente às tendências negativas que advêm da recente escalada da crise financeira internacional.
Aliás, em 2007 o stock acumulado de divida das famílias ascendia a cerca de 129% do rendimento disponível, um dos níveis mais elevados da UE, enquanto que no sector empresarial, o endividamento era cerca de 114% da riqueza nacional produzida .
Pelo que, o encarecimento e a menor facilidade do recurso ao financiamento, bem como, a persistência das taxas de juro em níveis elevados, terão consequências negativas inevitáveis na economia portuguesa, a que se alia um importante factor condicionante adverso, o arrefecimento económico dos principais parceiros comerciais , que acarretará consequências negativas para as exportações portuguesas, pondo por esta via, pressão adicional sobre o mercado de emprego .
Este clima económico, menos favorável, reflecte-se já nos principais indicadores de actividade, designadamente do Banco de Portugal, que prenunciam claramente, uma estagnação económica no terceiro trimestre de 2008
Ainda assim, a economia nacional, têm a seu favor, alguns factores positivos que amortecem a supracitada crise e lhe conferem alguma protecção, nomeadamente, a ausência de uma bolha especulativa significativa no sector imobiliário e uma menor exposição do sector da construção.
Igualmente positivo, que merece destaque, será concerteza, a continuidade do processo de correcção das contas públicas, que têm vindo a gerar alguma margem adicional, que poderá reverter para a aplicação de medidas contra-cíclicas, tal como aliás demonstram as intenções base que revestem o Orçamento de Estado para 2009.
Efectivamente o OE 2009, segundo os últimos dados disponíveis, parece integrar medidas políticas de desenvolvimento da economia (muito focadas na actividade das PME’s e na vida das famílias) e medidas de apoio á capitalização das empresas e apoios à liquidez das instituições financeiras, assim como eventuais alterações, às regras das contabilidades bancárias para reforço da transparência da gestão.
No entanto, a dinâmica de “contágio” da crise financeira internacional para a economia real portuguesa, afigura-se um processo inevitável, não se sabendo apenas, qual a magnitude do seu impacto.
De facto, os elevados níveis de endividamento de famílias e empresas nacionais, conjugado, com o elevado ritmo de concessão de crédito sugerem, que a economia portuguesa não ficará indiferente às tendências negativas que advêm da recente escalada da crise financeira internacional.
Aliás, em 2007 o stock acumulado de divida das famílias ascendia a cerca de 129% do rendimento disponível, um dos níveis mais elevados da UE, enquanto que no sector empresarial, o endividamento era cerca de 114% da riqueza nacional produzida .
Pelo que, o encarecimento e a menor facilidade do recurso ao financiamento, bem como, a persistência das taxas de juro em níveis elevados, terão consequências negativas inevitáveis na economia portuguesa, a que se alia um importante factor condicionante adverso, o arrefecimento económico dos principais parceiros comerciais , que acarretará consequências negativas para as exportações portuguesas, pondo por esta via, pressão adicional sobre o mercado de emprego .
Este clima económico, menos favorável, reflecte-se já nos principais indicadores de actividade, designadamente do Banco de Portugal, que prenunciam claramente, uma estagnação económica no terceiro trimestre de 2008
Ainda assim, a economia nacional, têm a seu favor, alguns factores positivos que amortecem a supracitada crise e lhe conferem alguma protecção, nomeadamente, a ausência de uma bolha especulativa significativa no sector imobiliário e uma menor exposição do sector da construção.
Igualmente positivo, que merece destaque, será concerteza, a continuidade do processo de correcção das contas públicas, que têm vindo a gerar alguma margem adicional, que poderá reverter para a aplicação de medidas contra-cíclicas, tal como aliás demonstram as intenções base que revestem o Orçamento de Estado para 2009.
Efectivamente o OE 2009, segundo os últimos dados disponíveis, parece integrar medidas políticas de desenvolvimento da economia (muito focadas na actividade das PME’s e na vida das famílias) e medidas de apoio á capitalização das empresas e apoios à liquidez das instituições financeiras, assim como eventuais alterações, às regras das contabilidades bancárias para reforço da transparência da gestão.
No entanto, a dinâmica de “contágio” da crise financeira internacional para a economia real portuguesa, afigura-se um processo inevitável, não se sabendo apenas, qual a magnitude do seu impacto.
A GÉNESE DA CRISE FINANCEIRA INTERNACIONAL.
Na última década, viveu-se um período de baixas taxas de juro, historicamente, as mais baixas de que há registo. A persistência desta situação , durante um período prolongado de tempo, criou a sensação de taxas de juro baixas sistémicas, ou seja, “eternamente” baixas.
Face a este contexto, as instituições financeiras – sobretudo Norte Americanas - para alcançarem rendibilidades mais elevadas, adoptaram uma estratégia, em que as perdas resultantes das baixas taxas de juro eram compensadas por aumento de volumes, nomeadamente, expansão das carteiras de crédito, resultando assim, em menor aversão ao risco ou inclusive, numa avaliação “mais laxista” do risco envolvido. Em simultâneo, os particulares, confiando na estabilidade das taxas de juro reduzidas e no acesso “muito” facilitado ao crédito, endividaram-se de forma crescente, sobretudo para aquisição de habitação.
Entretanto, nos Estados Unidos (em especial), a inovação financeira permitiu o desenvolvimento de produtos que agrupavam carteiras de crédito, que eram posteriormente revestidas de títulos transaccionáveis, permitindo assim aos bancos, retirar dos seus balanços, os créditos concedidos, o que possibilitava a continua concessão de crédito de forma quase “ilimitada”. Por outro lado, estes créditos titulados (revestidos!) eram adquiridos, por outras instituições financeiras em todo o mundo, ficando desta forma, expostas ao risco do crédito imobiliário nos EUA .
No entanto, em 2006, os preços das casas nos EUA começaram a cair e a taxa de incumprimento dos créditos à habitação dos particulares, com rendimentos mais precários (Subprime ), iniciou uma tendência de subida. Nalguns casos, o crédito tinha sido inicialmente concedido a famílias de baixo rendimento, no pressuposto de que as suas habitações se continuariam a valorizar.
Porém a queda de preços no mercado imobiliário, contrariou este pressuposto dos Bancos, impedindo-os de conseguirem valorizar estes títulos (em especial os do mercado Subprime, com maior nível de risco/incumprimento) o que implicou, que os investidores já não estivessem dispostos a comprá-los, baixando, inevitavelmente, os preços destes títulos de forma drástica.
As entidades que tinham recorrido a crédito para adquirir títulos Subprime, viram o prazo destes vencerem-se, sendo incapazes de venderem os títulos que compraram com estes empréstimos, tendo assim, forçosamente, de alienar activos alternativos com reconhecido valor, originando assim, quebras substanciais no seu valor cotado, por via das vendas “intempestivas” de activos que tiveram que realizar, tendo como resultado final, importante contracções dos balanços dos Bancos.
Entretanto, a incapacidade do mercado, em identificar as instituições com títulos Subprime , gerou uma onda de desconfiança generalizada no sector, aumentando a possibilidade de falência de Bancos, o que obrigou ao congelamento de vários mercados e á necessidade de intervenção das autoridades monetárias.
Face a este contexto, as instituições financeiras – sobretudo Norte Americanas - para alcançarem rendibilidades mais elevadas, adoptaram uma estratégia, em que as perdas resultantes das baixas taxas de juro eram compensadas por aumento de volumes, nomeadamente, expansão das carteiras de crédito, resultando assim, em menor aversão ao risco ou inclusive, numa avaliação “mais laxista” do risco envolvido. Em simultâneo, os particulares, confiando na estabilidade das taxas de juro reduzidas e no acesso “muito” facilitado ao crédito, endividaram-se de forma crescente, sobretudo para aquisição de habitação.
Entretanto, nos Estados Unidos (em especial), a inovação financeira permitiu o desenvolvimento de produtos que agrupavam carteiras de crédito, que eram posteriormente revestidas de títulos transaccionáveis, permitindo assim aos bancos, retirar dos seus balanços, os créditos concedidos, o que possibilitava a continua concessão de crédito de forma quase “ilimitada”. Por outro lado, estes créditos titulados (revestidos!) eram adquiridos, por outras instituições financeiras em todo o mundo, ficando desta forma, expostas ao risco do crédito imobiliário nos EUA .
No entanto, em 2006, os preços das casas nos EUA começaram a cair e a taxa de incumprimento dos créditos à habitação dos particulares, com rendimentos mais precários (Subprime ), iniciou uma tendência de subida. Nalguns casos, o crédito tinha sido inicialmente concedido a famílias de baixo rendimento, no pressuposto de que as suas habitações se continuariam a valorizar.
Porém a queda de preços no mercado imobiliário, contrariou este pressuposto dos Bancos, impedindo-os de conseguirem valorizar estes títulos (em especial os do mercado Subprime, com maior nível de risco/incumprimento) o que implicou, que os investidores já não estivessem dispostos a comprá-los, baixando, inevitavelmente, os preços destes títulos de forma drástica.
As entidades que tinham recorrido a crédito para adquirir títulos Subprime, viram o prazo destes vencerem-se, sendo incapazes de venderem os títulos que compraram com estes empréstimos, tendo assim, forçosamente, de alienar activos alternativos com reconhecido valor, originando assim, quebras substanciais no seu valor cotado, por via das vendas “intempestivas” de activos que tiveram que realizar, tendo como resultado final, importante contracções dos balanços dos Bancos.
Entretanto, a incapacidade do mercado, em identificar as instituições com títulos Subprime , gerou uma onda de desconfiança generalizada no sector, aumentando a possibilidade de falência de Bancos, o que obrigou ao congelamento de vários mercados e á necessidade de intervenção das autoridades monetárias.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
