11 novembro 2011
A BANCA TEM DE FINANCIAR A ECONOMIA
30 outubro 2011
Os “Eurobonds” e uma Europa Federal!
Por isso, a mutualização europeia da própria emissão de dívida pode ser a solução mais pragmática, gerando uma taxa de juro baixa (menos risco), permitindo que estes países coloquem as suas finanças públicas em ordem e possam lançar as bases da recuperação da economia. Para tal, seria necessária a emissão de obrigações garantidas por todos os Estados, as chamadas “Eurobonds”. Ou seja, em vez de esses Estados do euro se financiarem sozinhos nos mercados internacionais, passariam a emitir dívida em conjunto, com o risco diluído por todos e com o rating mais baixo, tendo encargos inferiores. As economias mais fortes, com rating elevado ajudariam países com rating mais baixo, uniformizando as taxas de juro nessa emissão de obrigações. Os títulos levariam o “selo de garantia” de todos os países da Zona Euro e era por eles que as receitas dos juros seriam, posteriormente, repartidos na mesma proporção do contributo de cada um.
No entanto, os “Eurobonds”, só funcionarão eficazmente num quadro de transferência de soberania dos Estados, nomeadamente, em matéria de política fiscal e orçamental que conduzirão a uma maior integração política. Ou seja, o caminhar definitivo para um modelo de Federalismo europeu, viabilizando uma União Política.
Uma nova crise mundial anda por aí! Por isso, impõe-se, de uma vez por todas, que os líderes europeus assumam medidas arrojadas e históricas que possibilitem a uma Europa Federal sustentar a sua economia.
Renato J. Campos
Economista
20 setembro 2011
Outlook de um verão perigoso!
São significativos os desafios que a economia portuguesa enfrenta, a crise internacional expôs a nossa frágil posição financeira. Para enfrentar esses desafios, procura-se avançar com reformas direccionadas para a correcção dos desequilíbrios externos e internos e que, simultaneamente, aumentem o potencial de crescimento.
Não é, porém, uma equação fácil, todos sabemos! É importante ter em conta que tais ajustamentos serão realizados num contexto externo de elevada incerteza e de riscos substanciais. Com efeito, com a recente escalada dos juros dos títulos no mercado secundário da divida soberana de Espanha e da Itália, a dúvida e o risco de contágio instalou-se na zona euro, de tal forma, que o economia alemã poderá já começar a enfraquecer nos próximos meses.
Por sua vez a China, o “motor” do crescimento económico mundial, vive uma perigosa escalada da inflação, o que obriga as autoridades chinesas a terem forçosamente que arrefecer a economia. E se a China abranda, em conjunto com a endémica inflação indiana, o comércio internacional trava fortemente. Por fim, não bastando a situação na Zona Euro e as vulnerabilidades da China (já para não falar do Japão, afectado pelo tsunami), também os Estados Unidos poderão estar sob o risco do seu governo federal, já em Agosto, entrar em default, pois o tecto legal de endividamento esgotou em Maio...
De facto, aquela que ainda é a maior economia mundial, só no mês de Agosto terá de fazer amortizações de 500 mil milhões de dólares da sua dívida e na primeira semana do mês, estarão em jogo 87 mil milhões (mais do que o valor do resgate concedido a Portugal). É este o cenário que se está a compor para este Verão, pelo que se antevêem tempos difíceis. Resta-nos ir fazendo o que nos compete, reduzindo gastos supérfluos e tentando promover o crescimento, esperando que não esteja na linha do horizonte uma “tempestade perfeita”…
Renato J. Campos
Economista
Artigo publicado na Revista DADA
16 agosto 2011
UMA POLÍTICA ECONÓMICA AUTO FÁGICA E SEM RETORNO !
04 maio 2011
O AGRAVAMENTO DA CRISE ALIMENTAR EXIGE UM NOVO MODELO DE COOPERAÇÃO A NÍVEL GLOBAL
Novamente, o mundo encontra-se confrontado com o agravamento do flagelo da fome, tendo, agora como principal causa uma subida acentuada dos preços dos produtos alimentares. Este fenómeno não é de hoje. Desde há três décadas que as organizações internacionais recomendam que as estratégias, as políticas e os planos nacionais de desenvolvimento deviam de forma convicta, admitir como objectivo prioritário, a promoção do emprego e a satisfação das necessidades básicas da população de cada país.
No entanto, por diversas e complexas razões, os Estados pouco ou nada têm feito neste campo.
Em meados de 2010, este fenómeno aparece como um boomerang e um desafio planetário. Surgiram conflitos em 18 países, dos quais 10 em África. Então, vários milhões de indivíduos, em particular jovens, insurgiram-se contra a subida vertiginosa do preço do arroz, do milho, do trigo, do leite, do óleo de cozinha e de outros produtos alimentares de base. Recorda-se que já no período de 2006-2008, registaram-se, então, subidas de preços de 170% para o arroz, de 140% para o milho e de 130% para o trigo.
Esta situação tem vindo a gerar graves motins, por vezes, sangrentos, estimando-se várias dezenas de mortes. As populações mais desfavorecidas das zonas urbanas foram as mais atingidas. É o caso, por exemplo, no Haiti, o país mais pobre do continente americano, onde o saco de arroz de 120 libras, passou de 35 para 70 dólares numa semana, onde ¾ dos agregados familiares vivem com menos de 2 dólares por dia e onde 50 a 60% da população activa, está no desemprego.
Na origem das revoltas, estão as profundas desigualdades sociais e a dependência extrema de muitos países sub desenvolvidos, no contexto de um comércio desigual, que por sistema lhes é desfavorável, se bem que a nível mundial, se reconheçam hoje algumas melhorias.
É incontestável que a carência alimentar é a principal responsável pela malnutrição, da qual sofrem dezenas de milhões de pessoas, sobretudo crianças, principalmente no Terceiro Mundo. Neste começo do séc. XXI, onde a sociedade do conhecimento e da informação é o slogan da civilização, tal situação é chocante e contraditória. Segundo, valores da FAO, a fome atinge 923 milhões de seres humanos, sendo numerosas as famílias nos países em desenvolvimento, que tiveram que retirar os seus filhos da escola e que se privaram de cuidados de saúde, obrigadas, que são, a afectar cerca 70% dos seus rendimentos, à alimentação.
Contudo, são múltiplas e de várias origens as causas da fome. Desde o recente a crescente apetência dos Fundos Financeiros especulativos pelo mercado matérias-primas (a especulação sobre os mercados dos produtos agrícolas é hoje 2,8 vezes superior à sua média desde 1994); à livre troca de mercadorias por um lado, e à protecção aduaneira e ás subvenções por outro, constituindo obstáculos ao desenvolvimento da agricultura dos países pequenos; à mudança do comportamento alimentar nos países emergentes, particularmente a aceleração da procura na China e na Índia, onde os hábitos alimentares vêm mudando progressiva e aceleradamente; a políticas económicas erradas e desfasadas das necessidades das populações locais; á subida exponencial dos combustíveis minerais (o petróleo afecta a agricultura desde a produção e reflecte-se, principalmente, através da alta dos preços dos transportes), à produção dos “agro-combustíveis considerando-se que estes se encontram em competição nas áreas destinadas à produção agrícola, levando com isso a uma alta dos preços dos produtos alimentares. Enfim, outras causas e variáveis têm, também, um inequívoco impacto sobre a subida dos preços, tais como a seca e os conflitos armados, um pouco por todo o Planeta, mas com maior acuidade em África.
Gritos de alarme têm sido lançados pela ONU, Banco Mundial e a FAO, que sublinham que seentrou num longo período de tensão sobre os preços. Estas organizações não hesitam em apelidarem esta situação de “tsunami” económico, que poderá atingir 1,2 mil milhões de pessoas até 2025, calculando que 1% de aumento dos preços dos produtos de base afectaria pela negativa mais 16 milhões de pessoas. Outras consideram, também, que o BM e o FMI, têm uma quota de responsabilidade na crise, ao defenderem um modelo de desenvolvimento que encorajara a criação de uma economia de mercado e de rápido crescimento, sem se preocuparem com as graves implicações sociais de incidência local.
O certo, é que hoje, a situação torna-se, cada vez mais intolerável, sendo urgente encontrar soluções que deixem de envergonhar os princípios civilizacionais e a viabilidade de um mundo globalizado e menos assimétrico. Reconhece-se, porém, que a multiplicidade das causas da crise alimentar torna problemática a procura de soluções. Mas se nada for feito, não se poderá estar ao abrigo de uma sucessão de crises alimentares e de conflitos sociais, cujas consequências serão gravíssimas, sobretudo, para os países mais pobres. A consciência da gravidade da situação exige uma acção concertada à escala mundial, entre Estados e Organizações institucionais, com a propositura de acções e medidas concretas a curto, médio e longo prazo.
No equacionamento das medidas a tomar, sobretudo, a longo prazo, será necessário retirar as ilações e as consequências resultantes da subida dos preços das matérias - primas em geral e dos produtos alimentares em particular. Essas medidas, dificilmente deixaram de passar por um aumento da produção agrícola graças à distribuição de sementes e de adubos e ao maior investimento na agricultura local; pelas alterações nos hábitos alimentares reduzindo as proteínas animais; por uma menor ocupação de áreas destinadas aos “agro-combustíveis”; por um conjunto de medidas de incentivos em favor dos agricultores que permitam que os seus produtos sejam vendidos nos mercados locais; pela introdução de novas técnicas para produzir em menos tempo e em maior quantidade, aumentando as áreas e os rendimentos – graças ao aumento da produtividade – salvaguardando as florestas e os pastos reservados para a alimentação animal.
Inquestionavelmente, a crise alimentar atinge hoje situações calamitosas, não se podendo ignorar que o perigo do abrandamento da economia, da recessão e do desemprego, constituem a conjugação de três perigosos elementos que piorarão a situação das populações mais desprotegidas. São vários e de diversas procedências os avisos de alarme, lembrando que se nada for feito, a crise financeira poderá implicar, à escala mundial, a extinção de cerca de 20 milhões de empregos e um aumento de 40 milhões de trabalhadores pobres, germinando progressivas crises e conflitos sociais, de consequências políticas e bélicas imprevisíveis.
Renato Vieira Campos
16 abril 2011
Educação Financeira
E no que diz respeito a dinheiro não há nada como colocar a criança em contacto com ele. O acto de dar uma mesada ou uma semanada é extremamente importante pois dá-lhe a responsabilidade de ter dinheiro e logo de ter de o gerir (para comprar as suas coisas ou poupar). Naturalmente que nos primeiros tempos não será de estranhar se a criança gastar todo o dinheiro com consumos mais impulsivos, não efectuando qualquer poupança. Mas lembre-se os erros em criança permite evitar muitos erros na idade adulta, fazendo parte do processo de aprendizagem no caminho para o amadurecimento financeiro. Para corrigir esses erros deve ajuda-lo a definir melhor os seus gastos envolvendo-o nas decisões de consumo familiares, como a compra de um electrodoméstico ou de um carro, explicando-lhe sempre as suas decisões.
E claro, aproveite as habituais idas às compras para o ensinar a comparar preços de bens similares, como funcionam as promoções e como os preços de bens iguais variam consoante os locais onde os adquirimos (loja de bairro, hipermercado, mercado, etc).
Quanto à poupança existem também pequenos “truques” que podem ajudar uma criança a aprender a importância que ela tem e terá na sua vida. Uma forma de os ensinar será ajudá-los a estabelecer um objectivo de consumo futuro, para o qual eles colocarão de parte um dado montante do que recebem. Desta forma aprenderão que quando se quer adquirir algo, que está no presente acima das nossas possibilidades, poupar é a melhor solução para se atingir os nossos objectivos. Igualmente muito importante é abrir-lhes uma aplicação a prazo, levando-os a acompanhar a evolução da mesma, de forma a aprenderem que a poupança quando investida traz boas recompensas no longo prazo.
Resumindo ensinar uma criança a lidar com o dinheiro e com a aplicação temporal do mesmo, é decisivo para o seu futuro pois faculta-lhe a consciência financeira necessária para evitar o descontrole das suas finanças pessoais.
05 abril 2011
NAVEGAÇÃO À VISTA
Este tipo de Gestão, descura as diversas forças envolventes externas às empresas esquecendo que, actualmente, as múltiplas decisões com que se deparam diariamente estão, muitas vezes, dependentes dos efeitos das ondas de choque macroeconómicas.
Estes efeitos propagam-se, sem duvida, de forma incontrolável nas Economias e nos seus Sectores de Actividade, basta relembrar, os impactos nas nossas empresas dos recentes episódios relacionados com a nossa conturbada conjuntura politica ou, ainda mais importante, a situação económica de aflição que o pais atravessa, com um iminente pedido de ajuda externa, de forma a evitar a insolvência.
Sublinhada pelos exemplos anteriores, estes efeitos de contaminação, acontecem a uma velocidade cada vez maior, em economias globalizadas e muito abertas ao exterior, sendo os seus efeitos sentidos muito rapidamente no dia-a-dia das empresas, bastará para tal, relembrar as actuais dificuldades de tesouraria e de financiamento com que muitas empresas (grandes e pequenas) actualmente se deparam.
De facto, é importante perceber o presente em toda a sua escala, como também, inevitavelmente, é fulcral para as nossas empresas minimizarem o seu risco por via de tentativas de prever o próprio futuro em termos económicos. A gestão estratégica do risco é cada vez mais uma função crítica nas empresas, a evolução dos últimos tempos fala por si!
Por estas razões é que, decididamente, a elaboração de análises de prospectiva sobre os mais diversos temas e cenários económico-sociais terá que constituir, cada vez mais, um vector incontornável à formulação de estratégias e de linhas de acção no dia-a-dia das nossas empresas. A prospectiva é, no domínio da gestão e da economia, o radar para detectar o que já partiu e que possivelmente chegará…
Renato J. Campos
Economista
Artigo publica na revista DADA online
Link:
http://www.revistadada.com/index.php?option=com_content&view=article&id=936:navegacao-a-vista&catid=109:opiniao&Itemid=193
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